Defeito do septo ventricular em cães e gatos, uma revisão / Ventricular septal defect in dogs and cats, a review

Matheus de Moraes Sartorelli, Alice Kerchener, Júlia Vulpini de Moraes, Gabriela Feder, Luiza Vanzella

Resumo


O defeito do septo ventricular (DSV) tem origem no desenvolvimento incompleto ou no desalinhamento do septo interventricular (SIV) ainda durante o estágio embrionário, de forma congênita. Anatomicamente, o DSV define-se por orifícios de números, tamanhos e formas variadas no SIV, estando, por vezes, associado a outros defeitos cardíacos. Quanto à prevalência, encontra-se com maior frequência em Buldogues ingleses e, em relação à anatomia, tem maior ocorrência na região membranosa do septo interventricular, muitas vezes ocasionando em defeitos perimembranosos. A comunicação interventricular desenvolve-se levando a um desvio intracardíaco da esquerda para a direita devido aos níveis de maior pressão sistólica e, quando ao contrário - da direita para a esquerda - resulta em cianose, quadro sugestivo de desvios mais graves.  Pequenos DSVs não resultam em sinais clínicos, entretanto, predispõem a endocardite frequentemente, além do fechamento espontâneo dos orifícios ser raro em cães e gatos. O DSV pode ainda ocasionar em regurgitação da aorta com prolapso diastólico dos folhetos valvares, devido à irrigação inadequada da artéria. Clinicamente, a maioria dos casos são assintomáticos e, quando sintomáticos, manifestam-se frequentemente através da intolerância ao exercício, tosse, dispneia e por meio de sinais da Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC) esquerda. O aumento da velocidade do fluxo e da turbulência nos orifícios do SIV causam sopro holossistólico, mais reconhecível no hemitórax direito. O diagnóstico associa fatores como histórico, sinais clínicos, exame físico e, precisamente, a ecoDopplercardiografia onde averígua-se o fluxo do desvio do DSV. O tratamento engloba a oclusão cirúrgica de peito aberto e os métodos transcateteres com uso de oclusores. De forma paliativa se considera como tratamento, em casos específicos, a colocação cirúrgica de bandagem constritiva em torno do tronco pulmonar.


Palavras-chave


defeito do septo ventricular (DSV), septo interventricular (SIV), diagnóstico, tratamento.

Texto completo:

PDF

Referências


STRICKLAND, K. N. Congenital heart disease. In: TILLEY, L. P. et al. (Ed.). Manual of canine and feline cardiology. 4. ed. St. Louis, Missouri: Saunders, 2008. p. 215-239.

MARCHI, C. H. Comunicação interventricular. In: CROTI, U. A. et al. (Ed.). Cardiologia e cirurgia cardiovascular pediátrica. 2nd ed. São Paulo: Roca, 2012. p. 401-422.

PATTERSON, D.F. et al. Epidemiologic and genetic studies of congenital heart disease in the dog. Circulation Research, [S. l.], v. 23, n. 2, p. 171-202, Ago. 1968. Disponível em: https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/01.RES.23.2.171. Acesso em: 28 ago. 2021.

MILLER, M. L.; GAL, A. Sistema cardiovascular e vasos linfáticos. In: ZACHARY, F. J. (Ed.). Bases da patologia em veterinária. 6. ed. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2018. p. 582-585.

OLIVEIRA, P. et al. Retrospective review of congenital heart disease in 976 Dogs. Journal of Veterinary Internal Medicine, [S. l.], v. 25, n. 3, p. 477-483, Mar. 2011. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/j.1939-1676.2011.0711.x. Acesso em: 30 ago. 2021.

ARGENTA, F. F. et al. Alterações congênitas do coração e dos grandes vasos em cães. Pesquisa Veterinária Brasileira, [S. l.], v. 38, n. 6, p. 1184-1189, Jun. 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pvb/a/zGPcRTLM4wpcy9jykDshVmN/?lang=pt. Acesso em: 28 ago. 2021.




DOI: https://doi.org/10.34188/bjaerv5n2-050

Apontamentos

  • Não há apontamentos.