Quando o jogo se torna patológico / When gambling becomes pathological

Desidério da Encarnação Palma Duarte, Marta Nélia Belchior Mendonça

Abstract


O jogo patológico caracteriza-se pela perda de controlo em relação ao jogo e por um pensamento irracional que mantem este comportamento apesar das consequências negativas. Tem um impacto significativo no indivíduo e na sociedade, com prejuízos sociais, financeiros e emocionais. Com este trabalho os autores pretenderam efetuar uma revisão sobre o jogo patológico, as suas consequências e abordagens terapêuticas. Foi realizada uma revisão da evidência atual sobre o jogo patológico, na PubMed, Embase e PsychInfo, através de artigos publicados nos últimos 10 anos, com os termos “pathological gambling “ e “treatment”. Adicionalmente foram consultados diversos manuais e publicações relevantes sobre a temática.O jogo sempre esteve presente ao longo da história, fascinando a Humanidade. Dostoievsky retrata esse deslumbramento, descrevendo as sensações físicas experienciadas pelos jogadores patológicos. Blaszczynski e Nower dividem-nos em três subgrupos: o primeiro tem como fator principal o condicionamento comportamental, o segundo é composto por sujeitos emocionalmente vulneráveis e o terceiro por indivíduos impulsivos e/ou de personalidade antissocial. Durante o jogo, o cortisol aumenta, especulando-se que o jogo patológico esteja relacionado com a infra-regulação do sistema dopaminérgico mesolímbico de recompensa e ativação do núcleo accumbens. O jogo patológico está frequentemente associado a perturbações de humor e a dependência de substâncias. A família é afetada, podendo igualmente existir problemas legais e laborais. Existem diferentes abordagens de tratamento: cognitivo-comportamental, psicodinâmicas, intervenção familiar e farmacoterapia. O jogo patológico representa um grave problema, não existindo uma causa única, sendo o trabalho com este tipo de adição um enorme desafio, dada a sua complexidade.


Keywords


jogo patológico, tratamento, comorbilidade.

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv5n1-018

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