Prevenção da violência obstétrica no âmbito do cuidado humanizado / Prevention of obstetric violence in the context of humanized care

Gabriela Carvalho Dias da Fonseca, Gabriel Velasque dos Santos Midão, Isabela Rutkowski, Isamara Aparecida Silva Domingos, Jessica Reis Lopes, Jordana Lara Teixeira Garcia, Ricardo Boina de Barbe, Thayline Zanelato Taylor, Gonzalo Cuba Valdez

Abstract


Este artigo buscou analisar a produção científica sobre as diferentes formas de violência obstétrica (VO) que ocorrem cotidianamente nos serviços de saúde, bem como compreender as condutas necessárias para promoção do parto humanizado. Ressalta-se que a VO não se restringe apenas ao momento do parto, mas a qualquer prática agressiva à mulher – sendo ela gestante, parturiente ou puérpera – ou ao seu bebê, ocorrida no decorrer da assistência profissional. Nesse contexto, observa-se a perda de autonomia dessas mulheres sobre seu processo reprodutivo, além do fato de que muitas não identificam a VO sofrida, visto que depositam total confiança na responsável pelo seu cuidado. As principais formas de VO descritas na literatura compreendem maus tratos físicos, psicológicos e verbais, além de procedimentos impróprios ou desnecessários como a episiotomia, a manobra de Kristeller, a imposição da cesárea e a ausência de acompanhante. Uma vez que a humanização do parto se baseia no atendimento focado na mulher, individualizado e respeitando sempre o progresso fisiológico do parto, ações como a criação de políticas públicas que estimulem a educação, informação e a melhoria da infraestrutura em saúde devem ser estimuladas de forma a diminuir a alta incidência da violência obstétrica.


Keywords


violência obstétrica, parto humanizado, gestação.

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv5n3-015

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