Associação entre endometriose e o aumento do risco coronariano em mulheres/ Association between endometriosis and increased coronary risk in women

Carolina Bandeira Domiciano, Daniel Hortiz de Carvalho Nobre Felipe, Geraldo Camilo Neto, Milena Guedes Trindade, Príscilla Anny de Araújo Alves, Priscila Coutinho Ferreira, Aline Machado Carneiro, Deborah Cristina Nascimento de Oliveira

Abstract


Introdução: A endometriose é uma condição crônica que representa uma das doenças ginecológicas benignas mais comuns, caracterizada pela existência de tecido endometrial em localizações ectópicas. As localizações mais frequentes são no peritoneu pélvico, nos ovários e no septo reto vaginal. Quando sintomática associa-se a dor pélvica, dismenorreia e infertilidade. Em mulheres com endometriose células imunes anômalas, quimiocinas, prostaglandinas e metaloproteinases estão aumentados no soro e no líquido peritoneal o que pode promover o desenvolvimento e progressão da doença coronariana aterosclerótica. Objetivo: Este estudo tem por objetivo verificar a associação entre endometriose e aumento do risco coronário na mulher, descritos na literatura brasileira. Metodologia: Trata-se de uma revisão sistemática da literatura indexada entre 2016 e 2020, publicados nas bases de dados Scientific Eletronic Library e PubMed. Foram incluídos artigos publicados em língua portuguesa e inglesa. Discussão: Os resultados do estudo permitiram concluir que as mulheres com endometriose têm risco de doença coronária significativamente mais elevada. A lesão aterosclerótica mais precoce – a estria lipídica – é uma lesão puramente inflamatória. Existem evidências de que a endometriose cursa com um estado de inflamação crônica sistêmica, o que pode contribuir para o aumento do risco coronário. As mulheres com endometriose apresentaram valores significativamente mais elevados de marcadores de inflamação e ativação endotelial (ICAM-I, VCAM-I, E-selectina, fator de von Willebrand e cofator ristocetina), que constituem etapas precoces do processo aterosclerótico. Conclusão: Os resultados apontam que mulheres com endometriose apresentam o risco coronário aumentado entre os 25 e os 60 anos de idade. Esse aumento deve-se principalmente ao estado de inflamação crónica e à eventual intervenção médica, como a histerectomia e/ou ooforectomia, e ainda a potenciais fatores como: o recurso a anti-inflamatórios não esteroides e aos análogos das gonadotrofinas hipotalâmicas; e a suscetibilidade geneticamente determinada. É importante avaliar precocemente os marcadores de risco e de doença cardiovascular nestas mulheres, de forma a prevenir e fazer o diagnóstico precoce de eventos coronários. Além disso, é importante sensibilizar as doentes com endometriose para o risco acrescido de eventos cardiovasculares a fim de promover e enaltecer os estilos de vida saudáveis.


Keywords


endometriose, risco cardiovascular, doença coronária.

References


AKOUM, A.; Al-AKOUM, M.; LEMAY, A.; MAHEUX, R.; LEBOEUF, M. Desequilíbrio nos níveis peritoneais de interleucina 1 e seu receptor inibitório tipo II de chamariz em mulheres com endometriose com infertilidade e dor pélvica. Fertilidade e Esterilidade, vol. 89, nº. 6, pp. 1618–1624, 2018.

CHARPENTIER, Etienne et al. Presumption of pericardial endometriosis using MRI: Case report and review of the literature. Journal of Gynecology Obstetrics and Human

Reproduction, v. 48, n. 1, p. 71-73, 2019.

CIRILLO, M.; COCCIA, M.; PETRAGLIA, F.; FATINI,C. Role of endometriosis in defining cardiovascular risk: a gender medicine approach for women's health. Hum Fertil (Camb). 2021 Apr 30:1-9.

DAVIS, Anne C.; GOLDBERG, Jeffrey M. Extrapelvic endometriosis. In: Seminars in Reproductive Medicine. Thieme Medical Publishers, 2017. p. 098-101.

EREN, E.; YILMAZ, N.; AYDIN, O. Lipoproteína de alta densidade funcionalmente defeituosa e paraoxonase: um casal para disfunção endotelial na aterosclerose. Colesterol, 2013 (2013) , p. 792090.

KAT, A. et al. Trajetórias do hormônio anti-Mülleriano estão associadas a doenças cardiovasculares em mulheres: resultados do estudo de coorte. Doetinchem Circulação , 135 (2017) , pp . 556-565.

LASMAR, Ricardo Bassil et al. Tratado de Ginecologia. 1 Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. p. 265-275.

MAEDA, E. et al. Atherosclerosis-related biomarkers in women with endometriosis: The effects of dienogest and oral contraceptive therapy. Eur J Obstet Gynecol Reprod Biol X. 2020 Apr 23;7:100108.

MU, F.; RICH-EDWARS, R.; RIMM, E.; SPIEGELMAN, D.; MISSMER, S. Endometriose e risco de doença cardíaca coronária. Circ Cardiovasc Qual Outcomes, 9 (2016) , pp. 257-264.

NEZHAT, Ceana H.; HINCAPIE, Maria A. Laparoscopic management of pericardial and diaphragmatic endometriosis: redefining the standards. Fertility and Sterility, v. 115, n. 3, p. 615-616, 2021.

OKOTH, K. et al. Risk of cardiovascular outcomes among women with endometriosis in the United Kingdom: a retrospective matched cohort study. BJOG. 2021. Sep;

(10):1598-1609.

PODGAEC, S. et al. São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e

Obstetrícia (FEBRASGO); 2018, p. 6-7. (Protocolo FEBRASGO - Ginecologia, no. 32/ Comissão Nacional Especializada em Endometriose).

SANTORO, L.; DONOFRIO, F.; CAMPO, S. Endothelial dysfunction but not increased carotid intima-media thickness in young European women with endometriosis. Hum Reprod. 2012;27(5):1320-1326.




DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv5n3-052

Refbacks

  • There are currently no refbacks.