Preditores tomográficos de mortalidade intra-hospitalar em TCE grave em um hospital terciário no Nordeste do Brasil / Tomographic predictors of in-hospital mortality in severe TBI in a tertiary hospital in Northeast Brazil

João Victor Santos Melo, Otávio Santiago Rocha, Júllia Beatriz Araujo Souza, Diego Henrique Gois Pereira, Thaís Cristina de Souza Melo, José Nolasco de Carvalho Neto, Arthur Maynart Pereira Oliveira, Bruno Fernandes de Oliveira Santos

Abstract


Introdução: O traumatismo cranioencefálico pode ser definido como uma disfunção do sistema nervoso central de origem traumática, responsável por substancial morbimortalidade sobretudo em países em desenvolvimento.  O objetivo desse trabalho é identificar preditores tomográficos de mortalidade intra-hospitalar em um hospital terciário do nordeste do Brasil. Metodologia: Trata-se de um estudo de coorte retrospectivo com análise da sobrevida de 187 pacientes, durante o período de fevereiro de 2017 a março de 2018, que foram admitidos com TCE grave e que tinham TC de crânio realizada à admissão no Hospital de Urgência de Sergipe. Resultados:  A idade média foi de 34,7 anos (14 a 94 anos), sendo 165 (88,2%) do sexo masculino. Do total de 187 pacientes com TCE grave, 56 (29,9%) tiveram como desfecho óbito no seguimento de 60 dias e, destes, 45 (80,3%) foram a óbito nos primeiros 15 dias de internamento. Foi identificado como fator preditor independente de mortalidade intra-hospitalar apenas o apagamento de cisternas da base com RR 3,7 (IC95% 1,9-6,9, p<0,001). Conclusão: somente o apagamento de cisternas foi identificado como preditor independente de mortalidade, aumentando em quase quatro vezes o risco de morte intra-hospitalar.


Keywords


trauma craniano, escala de coma de glasgow, epidemiologia, tomografia computadorizada.

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv5n3-264

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