Interdisciplinaridade, agroecologia e o homem como sujeito ativo na relação com a natureza / Interdisciplinarity, agroecology and man as an active subject in the relationship with nature

Ângela Aparecida Santos, Ivana Pires de Sousa Baracho, Moisés Gonçalves de Melo, Viviane Márcia Santos, Vívian Márcia Santos

Abstract


O presente artigo aborda o tema agroecologia e o problema de pesquisa consiste em discutir o papel das revoluções agrícolas e da ciência na relação homem-natureza. Os objetivos consistem em: evidenciar o papel das revoluções na relação dos sujeitos do campo com a natureza, discutir os paradigmas emergentes em substituição aos paradigmas em crise e de que forma é possível retomar o homem a sua condição de sujeito na relação direta com a natureza. O artigo consiste em uma revisão de literatura, dialogando com artigos de autores, que abordam as temáticas revoluções agrícolas, avanço da ciência e sua crise, e paradigmas emergentes. As revoluções agrícolas impactaram socialmente e culturalmente a relação homem natureza. A revolução verde impôs a aliança entre modernização e ciência. A ciência instituída enquanto saber hegemônico e totalitário, somada à visão da grande exploração, desvaloriza e desqualifica os saberes e práticas dos homens em exercício nas atividades agrícolas. A evolução da agricultura contribuiu para o distanciamento gradual do homem da sua relação com a natureza, enquanto ser imerso em uma totalidade e detentor do saber necessário para se configurar enquanto sujeito ativo, que com o advento da ciência moderna perde o posto para esta. A ciência se institui doravante enquanto sujeito, mas de caráter especializado, atomizado, fragmentado, aliado aos interesses do capitalismo, da agricultura industrial ou moderna, embora não se sustente por muito tempo, chegando a um ponto que não é mais capaz de propor soluções aos problemas por ela gerados. Ao entrar em crise, emerge-se a necessidade de construção de um novo paradigma. Surge o paradigma interdisciplinar para substituir o paradigma da ciência moderna; e a agroecologia como um paradigma para substituir o paradigma da agricultura industrial ou moderna. A agroecologia como esse novo paradigma surge embasada numa abordagem interdisciplinar e coloca o homem como sujeito detentor de um conhecimento acumulado ao longo do tempo, respeitando e valorizando sua especificidade local e cultural em favor da retomada da sua relação direta com a natureza. Nesse novo paradigma, o conhecimento do homem e sua relação direta no manejo dos recursos naturais são valorizados.


Keywords


revolução verde, natureza, paradigmas emergentes, agricultura, ciência.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n9-388

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