Hanseníase: perfil epidemiológico e possíveis causas de abandono do tratamento / Leprosy: epidemiological profile and possible causes of treatment abandonment

Mônica Dandara Montenegro Braz Gomes, Clarice Paiva de Oliveira, Mariana Bernardes Anversa, Nathalia Bejarano da Costa Resende, Samanta Hosokawa Dias

Abstract


Objetivos: Traçar o perfil epidemiológico do paciente com hanseníase que abandona o tratamento, bem como identificar as possíveis causas de abandono ou baixa adesão ao tratamento da hanseníase através de revisão de literatura nos últimos 10 anos. Materiais e métodos: Trata-se de revisão sistemática da literatura, na qual foram incluídos trabalhos científicos nacionais produzidos entre 2010 e 2020. Palavras-chave: hanseníase, tratamento, adesão e abandono. Resultados: Foram selecionados 34 artigos sobre hanseníase, mas apenas 10 estavam de acordo com os critérios do estudo.  Sobre epidemiologia de maneira geral, houve maior prevalência no sexo masculino, pacientes não alfabetizados ou ensino fundamental incompleto, indivíduos maiores de 15 anos, sem diferença significativa em relação às formas multi ou paucibacilar. Em relação à taxa de abandono especificamente, o perfil epidemiológico se repete, porém há predomínio de abandono em formas multibacilares, e pacientes do sexo feminino. Os principais motivos para abandono do tratamento encontrados foram:  esquecimento, uso de álcool, presença de limitações funcionais que atrapalham a locomoção e acesso aos serviços de saúde, duração longa do tratamento, distância do domicílio à Unidade Básica de Saúde (UBS), ausência de sintomas, falta de desejo em buscar a medicação, não aceitação da doença ou baixo entendimento sobre a mesma, efeitos adversos das medicações. Poucos estudos apontam com medidas intervencionistas sobre o assunto. Conclusão: A fim de se reduzir casos e taxa de abandono de tratamento de hanseníase é essencial o fortalecimento do tripé UBS, profissionais e pacientes de modo a identificar precocemente a patologia, instituir o devido tratamento bem como incentivar seu seguimento correto, superando também a barreira do preconceito, e evitando, dessa forma, o abandono e a evolução da doença para suas complicações. 

 

 


Keywords


hanseníase, tratamento, adesão e abandono.

References


ALEXANDRE, Adriana Regina Silveira et al. Abandono de tratamento no programa de controle da hanseníase de um hospital universitário em São Luís-Maranhão. Rev Hosp Universitário/UFMA, v. 10, n. 1, 2009.

ARANTES, Cíntia Kazue et al. Avaliação dos serviços de saúde em relação ao diagnóstico precoce da hanseníase. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 19, n. 2, p. 155-164, 2010.

ARAÚJO, Marcelo Grossi. Hanseníase no Brasil. Rev. Soc. Bras. Med. Trop. Uberaba, v. 36, n. 3, 2003.

ARAÚJO, Maylla Moura et al. Perfil clínico-epidemiológico de pacientes que abandonaram o tratamento de hanseníase. Hansen. int, 2014.

AZULAY, R.D.; AZULAY, L. Dermatologia. 7 ed. São Paulo: Guanabara-Koogan, 2017.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia para o Controle da hanseníase. Brasília: Ministério da Saúde, 2002.

BRASIL, Ministério da Saúde. Programa Nacional de Controle da Hanseníase, 2007.

BRASIL, Ministério da Saúde / Secretaria de Vigilância Em Saúde. Departamento De Vigilância Epidemiológica. Guia de procedimentos técnicos: baciloscopia em hanseníase, 2010.

BRASIL, Ministério da Saúde, Diretrizes para vigilância, atenção e eliminação da Hanseníase como problema de saúde pública: manual técnico-operacional, 2016.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Guia prático sobre a hanseníase, 2017.

BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica das Doenças Transmissíveis. Roteiro para uso do Sistema de Informação de Agravos de Notificação: Sinan NET para hanseníase: manual para tabulação dos indicadores de hanseníase: versão preliminar. Brasília: Ministério da Saúde; 2018.

BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Guia de vigilância em saúde: volume único, 3.ed., 2019

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico. n° especial, 2020.

BRASIL, Ministério da Saúde. Portaria Conjunta nº 125, de 26 de março de 2009. Define ações de controle da hanseníase. Anexo III. Formulário para avaliação do grau de incapacidade física. Diário Oficial da União, 2009.

CUNHA, Maria Heliana Chaves Monteiro da et al. Episódios reacionais hansênicos: estudo de fatores relacionados com adesão ao tratamento em uma unidade de referência. Hansen. int, 2013.

DA COSTA, Nayara Magda Gomes Barbosa et al. Perfil sociodemográfico e grau de incapacidade do portador de hanseníase em um centro de referência no estado do Ceará. Brazilian Journal of Development, v. 6, n. 6, 2020.

DE ANDRADE, Kaio Vinicius Freitas et al. Geographic and socioeconomic factors associated with leprosy treatment default: An analysis from the 100 Million Brazilian Cohort. PLoS neglected tropical diseases, v. 13, n. 9, 2019.

DE SOUSA, Adriana Alves et al. Adesão ao tratamento da hanseníase por pacientes acompanhados em unidades básicas de saúde de Imperatriz-MA. SANARE-Revista de Políticas Públicas, v. 12, n. 1, 2013

DUNCAN, Bruce B. et al. Medicina ambulatorial-: condutas de atenção primária baseadas em evidências. Artmed Editora, 2014.

GUSSO, Gustavo; LOPES, José Mauro Ceratti. Tratado de Medicina de Família e Comunidade-: Princípios, Formação e Prática. Artes Medicas, 2018.

HACKER, Mariana de Andrea Vilas Boas et al. Pacientes em centro de referência para hanseníase: Rio de Janeiro e Duque de Caxias, 1986-2008. Ciência & Saúde Coletiva, v. 17, 2012.

IGNOTTI, E.; RC, Paula. Situação epidemiológica da hanseníase no Brasil: análise de indicadores selecionados no período de 2001 a 2010. Ministério da Saúde (BR), Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Análise de Situação em saúde. Saúde Brasil, 2010.

LIMA, M. C. V. et al. Practices for self-care in Hansen’s disease: face, hands and feet. Rev Gaúcha Enferm, v. 39, 2018.

LIRA, Karlisson Bezerra et al. Knowledge of the patients regarding leprosy and adherence to treatment. Brazilian Journal of Infectious Diseases, v. 16, n. 5, 2012.

LUNA, Izaildo Tavares et al. Adesão ao tratamento da Hanseníase: dificuldades inerentes aos portadores. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 63, n. 6, 2010.

PAES, Andrea Luzia Vaz et al. Perfil clínico-epidemiológico de portadores de hanseníase. Rev Para Med, v. 40, n. 2, 2011.

ROLIM, Maria De Fátima Nogueira et al. Fatores relacionados ao abandono ou interrupção do tratamento da hanseníase. Journal of Medicine and Health Promotion, Patos, v. 1, n. 3, 2016.

SILVA, Raquel Caroline Carneiro da et al. Stigmata and prejudice: reality of carriers of leprosy in prisional units. Revista de Pesquisa: Cuidado é Fundamental Online, v. 6, n. 2, 2014.

VIDERES, Arieli Rodrigues Nóbrega et al. Manifestations of stigma and prejudice informed by treated lepers. International Archives of Medicine, v. 9, 2016.

WHO. Weekly epidemiological record. Global leprosy update, 2018: moving towards a leprosy-free world. Nova Deli: World Health Organisation. 2019.




DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n9-720

Refbacks

  • There are currently no refbacks.