Perfil das Pisciculturas nas Microrregiões do Sudeste do Pará e Impactos da Pandemia da COVID-19 / Fish Farms Profile in the Southeast Microregions of Pará and Impacts of the COVID-19 Pandemic

Ester da Silva Criança, Elisandra Silva Canela, Ludmylla Viana Santos, Diógenes Henrique de Siqueira Silva, Daniel Clemente Vieira Rego da Silva, Caroline Nebo

Abstract


O estado do Pará possui grande capacidade hídrica para aumentar a produção de peixes, entretanto a atividade aquícola no estado é incipiente. O objetivo do projeto foi caracterizar o perfil dos piscicultores e as pisciculturas na Mesorregião do Sudeste Paraense, com isso, foram entrevistados 24 piscicultores das Microrregiões de Redenção do Pará e Parauapebas (M1), Marabá e Tucuruí (M2) e São Félix do Xingu (M3). Os resultados levantados evidenciaram que a prática aquícola é exercida a mais de cinco anos nas microrregiões M1 e M2, sendo mais de 50% da produção para a comercialização, porém na região M3 a atividade é mais recente entre um a cinco anos e a produção para o comércio e lazer ou para subsistência familiar. A maioria dos piscicultores da região M1 já realizaram treinamento técnico para produção de peixes e mesmo que boa parte deles possuam apenas ensino fundamental completo e incompleto, a grande maioria realiza o controle financeiro.  Em todas as microrregiões entrevistadas, os principais peixes produzidos são o tambaqui e seus híbridos (tambacu e tambatinga), seguido da tilápia, sendo que a maioria dos piscicultura nas regiões M2 e M3 comercializam menos que 100kg/peixes/mês em menos de cinco hectares de lâmina d’água, com sistema de produção semi-intensivo a extensivo, respectivamente. A mão de obra na microrregião M3 é predominantemente familiar com uma pessoa trabalhando diretamente na atividade. O escoamento da produção é realizado predominantemente na forma informal, com a venda dos peixes vivos tanto direto para os consumidores finais como para os atravessadores. Nas regiões M1 e M2 mais da metade dos piscicultores realizam a prática da quarentena nas propriedades e esse manejo é refletido no índice de problemas sanitários das propriedades, onde mais de 60% disseram que nunca tiveram problemas graves de mortalidade, diferentemente da microrregião M3 que a prática da quarentena é baixa, incidindo diretamente na presença de doenças nos peixes produzidos. Com a pandemia da COVID-19 os piscicultores tiveram redução de razoável a drástica com a produção dos peixes, devido ao aumento do preço dos insumos e a comercialização foi variável, pois na microrregião M1 a redução foi de até 60% e nas regiões M2 e M3 de 50% a 12,5%, respectivamente. A falta de incentivos governamentais para implementação de políticas públicas para auxiliar os pequenos produtores na legalização das propriedades como a oferta de assistência técnica gratuita, os valores elevados das rações e a ausência de frigoríficos para comercialização dos peixes no mercado formal são os maiores problemas encontrados na produção e comercialização de pescados nas Microrregiões do Sudeste do Pará.


Keywords


Amazônia, peixes nativos e COVID-19.

References


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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n11-493

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