Arquitetura Urbana do Café em Muqui-ES das décadas de 1920 a 1970 / Urban Architecture of Coffee in Muqui-ES from the 1920s to the 1970s

Leoni Rigoni Salarolli, Mariana Cardoso Pereira, Genildo Coelho Hautequestt Filho

Abstract


O município de Muqui, localizado no sul do estado do Espírito Santo, foi ocupado a partir do segundo quartel do século XIX no processo de expansão da cultura cafeeira carioca e mineira. A cidade, que surgiu na década de 1880, teve sua estrutura urbana consolidada ao longo do leito da ferrovia Leopoldina Rayilway, que ligou a região ao Rio de Janeiro a partir de 1901. A ligação com a capital federal fez com que a produção arquitetônica de Muqui seguisse os padrões estéticos lá vigentes, em especial o ecletismo tardio, o protomodernismo e o modernismo, entre as décadas de 1920 e 1970. A ligação comercial e cultural com a capital federal, juntamente com os excedentes de capitais gerados pela cultura do café, fez com que houvesse um rápido desenvolvimento urbano da região, o que gerou um dos mais significativos acervos patrimoniais do Espírito Santo, que hoje encontra-se tutelado pelo Estado. Esta pesquisa lança o olhar sobre este acervo, com o objetivo de melhor compreender a organização funcional dessas casas, que poderá indicar as mudanças na forma de morar durante os 50 anos de produção arquitetônica estudados. Para realizar esta investigação foram inventariadas 27 das 445 edificações do centro histórico, que foram organizadas em dois períodos históricos, o primeiro que vai de 1920 a 1935 e o segundo que vai de 1936 a 1976, e divididas em três tipologias: casas residenciais térreas, casas térreas mistas e sobrados. A análise focou principalmente no esquema funcional destas edificações, o que nos permitiu discutir como as mudanças dos padrões estéticos e sociais se refletiram na forma de morar causando, consequentemente, alterações no espaço funcional das casas.


Keywords


Arquitetura do café, Arquitetura residencial, Arquitetura vernacular, Tipologia arquitetônica.

References


BACHELARD, Gaston. A Poética do Espaço. Tradução de Antonio de Pádua Danesi. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes. Selo Martins, 2008. 242 p.

BRAGA, Rubem. 200 Crônicas Escolhidas: as melhores de Rubem Braga. 21 ed. Rio de Janeiro: Record. 2004. 320 p.

BUFFON, José Antonio. O café e a urbanização do Espírito Santo: aspectos econômicos e demográficos de uma agricultura familiar. 1992. 373 f. (Dissertação de mestrado em economia) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1992.

COLQUHOUN, Alan. Modernidade e tradição clássica: ensaios sobre arquitetura. 1ª. ed. São Paulo: Cosac & Naify, 2004.

CORDEIRO, Caio Nogueira Hosannah. A reforma do ensino de arquitetura e o movimento renovador da educação Brasileira (1930 - 1932). Brazilian Journal of Development, Curitiba, v. 5, n. 8, p. 13432-13455, ago. 2019. Disponível em: . Acesso em: 23 março 2021.

FOCILLON, Henri. A vida das formas. Tradução de Fernando Caetano d Silva. Lisboa: Edições 70, 1988.

GOVERNO MUNICIPAL DE SÃO JOÃO DO MUQUY. Decreto nº 3: promulga o codigo de postura municipaes. São João do Muquy, 7 de novembro de 1912. Artigo 3º, § 6º. Pág. 8 verso.

HAUTEQUESTT FILHO, G. C. Arquitetura urbana do café em Muqui – ES. Vitória: Milfontes. 2019. 153p.

LEMOS, Carlos Alberto Cerqueira. Alvenaria Burguesa: breve história da arquitetura residencial de tijolos em São Paulo a partir do ciclo econômico liderado pelo café. São Paulo: Contexto. 1996. 83 p.

________________. Arquitetura Brasileira. São Paulo: Ed. Da Universidade de São Paulo. 1979. 158 p.

________________. História da Casa Brasileira: a casa colonial – casas urbanas e rurais – a habitação burguesa. São Paulo: Nobel. 1985. 194 p.

LEMOS, Carlos et al. Ecletismo na arquitetura brasileira. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo,1987.

MENDES, Chico; VERISSIMO, Chico; BITTAR, William. Arquitetura no Brasil: de Dom João VI a Deodoro. Rio de Janeiro: Imperial Novo Milênio, 2011.

________________. Arquitetura no Brasil: de Deodoro a Figueredo. 1 ed. Rio de Janeiro: Imperial Novo Milênio, 2015.

REIS FILHO, Nestor Goulart. Quadro da arquitetura no Brasil. 9 ed. São Paulo-SP: Perspectiva, 2000. 211 p.

REIS, Henrique. CASTRO, Maria. Arquitetura vernácula e sustentabilidade: arquitetura montessoriana e características vernaculares brasileiras. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v. 6, n. 1, p. 2076-2083, jan. 2020. Disponível em: . Acesso em: 23 março 2021.

ROSSI, Aldo. A arquitetura da cidade. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

SANTOS, Paulo F. Quatro Séculos de Arquitetura. Rio de Janeiro: IAB. 1981. 124 p.

SCHETTINO, Patrícia Thomé Junqueira. A mulher e a casa: Estudo sobre a relação entre as transformações da arquitetura residencial e a evolução do papel feminino na sociedade carioca no final do século XIX e início do século XX. 2012. Tese (Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte-MG, 2012.

STRÖHER, Eneida Ripoll et al. O tipo na arquitetura: da teoria ao projeto. São Leopoldo-RS: editora Unisinos, 2001. 208 p.

TELLES, Augusto C. da Silva et al. Arquitetura na formação do Brasil. 2 ed. Brasília: UNESCO, Instituto de Patrimônio Artístico Nacional, 2008. 368 p., il.

SÁ, Marcos Moraes de. Ornamento e Modernismo: a construção de imagens na arquitetura. Rio de Janeiro: Rocco, 2005. 146 p.

SULLIVAN, Louis. O ornamento na arquitetura. 1892, tradução: Roberto Grey. Disponível em: . Acesso em: 03 de janeiro 2019.

VERISSIMO, Francisco Salvador; BITTAR, William Seba. 500 anos da Casa no Brasil: as transformações da arquitetura e da utilização do espaço de moradia. Rio de Janeiro: Editouro, 1999. 141 p.

ZEVI, Bruno. Saber ver a arquitetura. Tradução de Maria Isabel Gaspar e Gaëtan Martins de Oliveira. 4ª tiragem. São Paulo: Martins Fontes, 2002.




DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n4-555

Refbacks

  • There are currently no refbacks.