Modelos atômicos no ensino regular: uma aula voltada para alunos surdos / Atomic models in regular education: a classroom for deaf students

Maciel Rocha Martírios, Antônio Marcelo Silva Lopes, Márcia Maria Teixeira, Poliana de Sousa Carvalho, Francisco de Assis Pereira Neto

Abstract


No decorrer dos anos as questões relacionadas à educação inclusiva ganharam destaque, conquistaram adeptos em todo o mundo e vem sendo amplamente discutidas em varias esferas do campo político pedagógico. No ensino de Química para alunos surdos o professor encontra, além dos desafios convencionais apresentados em salas contendo apenas alunos ouvintes, desafios específicos que vão desde a falta de sinais relacionados a linguagem Química à necessidade da utilização de recursos visuais para a inclusão do aluno no processo de aprendizagem. Neste sentido este trabalho buscou, através de uma aula contextualizada e interativa, identificar as principais dificuldades relacionadas ao conteúdo de modelos atômicos por alunos surdos, bem como as causas que contribuem para tal. Para o desenvolvimento do trabalho, foi elaborado um plano de aula com dois professores especialistas em Educação Inclusiva, em seguida foi pedido previamente aos 19 alunos ouvintes e 02 alunos surdos que compunham uma turma de primeiro ano do Ensino Médio que levasse para a sala materiais como cola, massa de modelar, barbante, bolas de isopor e tesoura para que pudessem ser construídos os principais modelos atômicos em sala de aula. Dando continuidade a turma foi dividida em equipes, as quais ficaram responsáveis pela construção de um modelo atômico respectivamente e após sua construção foi feita uma socialização dos grupos (incluindo os alunos surdos com o auxílio de um intérprete) onde puderam sanar dúvidas e pontuar as principais características de cada modelo. Para finalizar a atividade, foi aplicado um questionário oral com quatro questões subjetivas aos dois alunos surdos, o qual foi interpretado e transcrito para fins desse trabalho. Após a finalização da atividade pode-se observar a participação efetiva de todos os alunos, principalmente os alunos surdos, bem como sua interação durante a construção dos modelos. O questionário revelou que as principais dificuldades relacionadas ao estudo da química na visão dos alunos está na complexidade dos conceitos e presença de muitos cálculos, ficando evidente a necessidade de o professor desenvolver métodos capazes de atender e incluir esses alunos em sala de aula, tornando-os coadjuvantes no processo de construção e aplicação do conhecimento químico.


Keywords


Aluno surdo, ensino de química, modelos atômicos, metodologias de ensino.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n6-356

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