Uma questão de interpretação: como esquemas compartilhados de significados moderam o impacto do clima organizacional no bem-estar do trabalhador / A matter of interpretation: how shared meaning schemas moderate the impact of organizational climate on worker well-being

Pedro Paulo Moraes do Nascimento

Abstract


O presente estudo tem como objetivo analisar como os esquemas compartilhados de significados dos trabalhadores de empresas brasileiras moderam o efeito do clima organizacional na apreciação do bem-estar no trabalho. Usando um questionário eletrônico cujos casos foram coletados por meio de redes sociais, nossa amostra foi composta por 169 casos válidos, em que avaliamos o bem-estar no trabalho por meio de duas variáveis: autoestima e autoeficácia e autoeficácia do trabalhador. Como fator exógeno, nós capturamos três dimensões do clima que remetem ao nível organizacional: integração, pressão para produzir e avaliação de desempenho. Partindo do argumento de que o efeito desses fatores exógenos do clima é moderado pela interpretação dos trabalhadores, três variáveis que operam em nível individual do clima compuseram as classes esquemáticas:  bem-estar do trabalhador, autonomia no trabalho e suporte da chefia. Baseando-se em teoria e método da área da sociologia cognitiva, tais classes esquemáticas foram identificadas por meio de um método de análise de modularidade de redes de variáveis denominado análise de classes correlacionais (CCA), que divide a amostra em partições nos quais indivíduos tendem a escolher as mesmas variáveis como relevantes independentemente de concordarem com as respostas. Consequentemente, tais classes são representadas como redes esquemáticas, que, por sua vez, apontam para formas diferentes de interpretar o clima no nível individual. Três classes esquemáticas foram geradas: Integrada (classe 1), o qual os indivíduos que as compõem tendem a interpretar as dimensões endógenas do clima como fortemente relacionadas; Dependente pouco responsiva (classe 3) onde o mesmos interpretam que suporte da chefia e autonomia apresentam grau de dependência, especialmente no que se refere à empatia dos superiores; a última classe chamamos de Independente (classe 4), o qual os itens referentes à dimensão autonomia são independentes da apreciação acerca do Suporte da Chefia e do Bem-estar. Nossos resultados apontam que quanto maior o grau de integração, maior a autoestima do trabalhador; quanto maior o grau de integração, maior a autoeficácia do trabalhador; em classes em que há maior interdependência entre as dimensões endógenas do clima organizacional, maior o efeito da integração na eficiência e na eficácia; em classes em que há maior independência entre as dimensões endógenas do clima organizacional, maior o efeito da ênfase na avaliação de desempenho na eficiência e na eficácia.


Keywords


Bem-Estar no Trabalho, Clima Organizacional, Esquemas Compartilhados de Significados.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n10-098

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