Avaliação das potenciais interações dos medicamentos investigados para tratamento da Covid-19 segundo o manuseio medicamentoso precoce do ministério da saúde / Evaluation of potential interactions of medicines investigated for the treatment of Covid-19 according to the early drug handling of the ministry of health

Júlia Victória Batista Oliveira, Graziella Picanço Silva, Lucas Pereira Paz Siqueira, Ana Camila Garcia Sena Souza, Christian Diniz Lima e Silva, Paulo Marcelo Pedroso Pereira

Abstract


Em decorrência do súbito surgimento da pandemia decorrente da doença causada pelo novo coronavírus, iniciou-se uma incessante busca por uma alternativa terapêutica que minimizasse os danos causados pelo vírus. Estudos acerca de medicamentos já existentes foram redirecionados para a COVID-19. Entretanto, o emprego destes tratamentos empíricos propiciou uma nova problemática: o aumento do risco de interações medicamentosas, principalmente no que tange o grupo de risco com comorbidades pré-existentes, devido possuírem uma terapia farmacológica ativa para controle da doença pregressa. Diante disso, foi realizado um estudo avaliativo através de revisão de literatura com abordagem qualitativa, retrospectiva e analítico-discursiva das potenciais interações dos medicamentos empregados para tratamento da COVID-19, segundo o manuseio medicamentoso precoce do Ministério da Saúde do Brasil, com o objetivo de elencar os principais fármacos descritos na nota informativa e classificar as interações medicamentosas em graves ou moderadas, de acordo com o grau de severidade. Dessa forma, verificou-se que os principais medicamentos referidos para esse tratamento precoce foram a hidroxicloroquina, lopinavir/ritonavir, azitromicina, heparina, metilprednisolona tanto como alternativa para neutralização viral quanto para controle de sintomática. A ivermectina e a nitazoxanida foram empregados devido aos estudos acerca dos seus possíveis potenciais antivirais. Quanto ao perfil de interação medicamentosa, avaliou-se que a hidroxicloroquina é o medicamento que mais possui interações de graus grave e moderada, destacando as de classe medicamentosa com os outros fármacos presentes no “kit COVID-19” e as interações com as principais comorbidades, tais como doenças cardiovasculares, doenças hepáticas, diabetes mellitus e distúrbios renais crônicos.  A combinação de antivirais lopinavir/ritonavir e o antimicrobiano azitromicina também apresentaram interações e reações adversas relevantes, bem como o corticosteroide metilprednisolona. Destaca-se que o uso destes medicamentos fora da sua terapêutica habitual não garante um tratamento medicamentoso eficaz contra a COVID-19 e pode prejudicar o quadro clínico do paciente. Portanto, deve-se monitorar a farmacoterapia e conscientizar o paciente quanto à importância do uso racional de medicamentos, mesmo em um cenário pandêmico.


Keywords


Interações Medicamentosas; COVID-19; Tratamento Precoce.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n10-184

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