Conceito de saúde em tempos de epidemia/pandemia: Revisão de literatura / health in epidemic / pandemic times

Edilaine Soares dos Santos, Cilmara Perrotti Santos, Rebeca Duailibe Gomes

Abstract


Entende-se por epidemia a ocorrência de uma determinada doença em várias localizações geográficas, já pandemia diz respeito à disseminação mundial de uma patologia. Ao longo da história, a humanidade já foi assolada por diversas dessas situações, tendo sempre em comum o medo, a crise e a interferência na saúde das pessoas. Sabe-se que, é necessária a tomada de medidas para amenizar a transmissão do agente etiológico, assim como a diminuição dos sintomas. Entretanto, ao realiza-las, os cuidados estão voltados para a ausência de enfermidade, conceito esse desmentido pela OMS, a qual afirma que o verdadeiro significado de saúde engloba um número maior de fatores que, juntos contribuem para um total bem estar do indivíduo. Nesse aspecto, é bem-vinda a reflexão crítica, construtiva, se em tempos de pandemia, as estratégias adotadas, não interferem diretamente no estado de saúde das pessoas. Dessa forma, objetivo do presente estudo é sistematizar conhecimentos, sobre possíveis implicações e repercussões sócio, cultural, político e econômica, nas principais pandemias/ epidemias entre os séculos XX e XXI que assolaram o mundo, assim como se as estratégias adotadas para enfrentamento da doença, contemplam o conceito ampliado de saúde. Para isso foi realizada uma revisão de literatura conduzida por meio de consultas à base de dados e portais de pesquisas (PubMed, BIREME, Scielo, Scientific, Google Scholar, e busca manual)  no período de maio de 2020 a Outubro de 2021,  utilizando como estratégia de busca a inserção de DeCs (Descritores e Ciências da saúde) e termos livres como atenção á saúde, pandemia, epidemia.  Verificou-se que as principais pandemias/epidemias entre o século XX e XXI que assolaram o mundo estão; a Gripe Espanhola, Cólera, Tuberculose, AIDS, Zika Vírus e Corona vírus. E que independente do século, evolução tecnológica, desenvolvimento econômico, todas as epidemias/ pandemias tiveram impactos sociais, culturais, econômicos e políticos. Além disso, todas as estratégias adotadas tiveram como foco principal o combate ao agente etiológico. Foi observado o impacto na saúde mental da população, especialmente na HIV, ZIKA VÍRUS e COVID-19 que vieram acompanhadas por temor e preconceitos, associado ao descaso da saúde pública. Conclui-se que, mesmo com suas diferenças biológicas, sociais, temporais e geográficas, as epidemias/ pandemias costumam resguardar alguns pontos em comum, como o caos social, descaso com a saúde pública, mudanças de comportamento e disseminação de informações falsas. Além disso, o foco de combate fica voltado ao controle agente etiológico, tornando nítido que o antigo conceito de saúde ainda está enraizado de maneira global e precisa ser desconstruído para dar lugar ao conjunto proposto pela OMS, com o intuito de garantir uma melhor qualidade de vida à população em tempos considerados normais e em tempos de pandemias/ epidemias.

Keywords


Atenção à saúde, COVID-19, Coronavírus, epidemia, pandemia, assistência integral a saúde, Brasil.

References


PAIM, J. et al. The brazilian health system: history, advances, and challenges. The Lancet. 377: 1778–972011 May, 2011)

FREITAS, C. M. SOBRAL, A. Modelo de organização para indicadores para operacionalização dos determinantes socioambientais da saúde. 2010

PAIM, J. S. Fundamentos da vigilância sanitária. 2000

REZENDE, J. M. Epidemia, endemia, pandemia. Epidemiologia. Revista de patologia tropical. vol. 27, n. 1, 1998

SENHORAS, E. M. Coronavírus e o papel das pandemias na história humana. Boletim de conjuntura, 2020

ALMEIDA, J. Epidemia do zika vírus no Brasil em 2015: um retrato da desigualdade social. 2020.

ORNELL, F. et al. “Pandemic fear” and COVID-19: mental health burden and strategies. Brazilian Journal of Psychiatry, 2020

BROOKS, S. K. et al. O impacto psicológico da quarentena e como reduzi-lo: revisão rápida das evidências. The Lancet. Vol. 395. 2020

VERITY, R. et al. Estimativas da gravidade da doença coronavirus 2019: uma análise baseada em modelo. The Lancet. Vol. 20. 2020

GOULART, A. C. Revisitando a espanhola: a gripe pandêmica de 1918 no Rio de Janeiro. História, Ciência, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro, vol. 12, n.1, jan./apr. 2005

KOLATA, G. Gripe, a história da pandemia de 1918. Rio de Janeiro. P. 384. 2002

BRITO, A. N. de. La dansarina: a gripe espanhola e o cotidiano na cidade do Rio de Janeiro. História, ciências e saúde – Manguinhos, v.4, n.1, p.11-30, mar.-jun. 1997.

SOUZA, C. C. M. A epidemia de gripe espanhola: um desafio à medicina baiana. História, ciência, saúde – Manguinhos, :15 (4) 945-972, 2008.

FILHO, C. B. Cólera: um retrato permanente. Manguinhos. vol.11, n.3, Rio de Janeiro sept./dec. 2004

SANTOS, L. A. C. Um século de cólera: itinerário do medo. PHYSIS - Revista de Saúde Coletiva Vol. 4, n.1, 1994

GEROLOMO, M. PENNA, M. L. F. Os primeiros cinco anos da sétima pandemia de cólera no Brasil. Informe Epidemiológico do SUS, Brasília, v.8, n.3, p. 49-58, Sept. 1999

WALDMAN, E. A. SILVA, L. J. MONTEIRO, C. A. Trajetória das doenças infecciosas: da eliminação da poliomielite à reintrodução da cólera. Inf. Epidemiol. Sus v.8 n.3 Brasília set. 1999

CÂMARA, F. P. A Pandemia esquecida. A cólera no Brasil. Psychiatry on line Brasil. vol. 25 n. 9. Setembro de 2020

BERTOLLI, F. C. Cólera: um retrato permanente. Hist. cienc. saude-Manguinhos. 2004, vol.11, n.3, pp. 773-776

WALDMAN, E. A. et al. Doenças infecciosas tendências: a partir de eliminação da poliomielite à reintrodução da cólera. Inf. Epidemiol. Sus. Setembro 1999, vol.8, no.3

GEROLOMO, M. PENNA, M. L. F. Os primeiros cinco anos da sétima pandemia de cólera no Brasil. Informe Epidemiológico do SUS, Brasília, v.8, n.3, p. 49-58, Sept. 2000

IGNATTI, M. G. Saúde e ambiente: as doenças emergentes no Brasil. Ambient. soc. [online]. 2004, vol.7, n.1, pp. 133-14.

SILVA, P.F.; MOURA, G.S.; CALDAS, A.J.M. Fatores associados ao abandono do tratamento da tuberculose pulmonar no Maranhão, Brasil, nos períodos de 2001 a 2010. Cadernos de saúde pública, Rio de Janeiro, v.30, n. 8, p.1745-1754, 2014

BASTA, P. C. As pestes do século XX: tuberculose e AIDS no Brasil, uma história comparada. Cadernos de saúde pública, Rio de Janeiro, 22(2):456-462, fev, 2006.

GONCALVES, H. A tuberculose ao longo dos tempos. Hist. cienc. saude-Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 7, n. 2, p. 305- 327, Oct. 2000

MACIEL, M. S. et al. A história da tuberculose: os muitos tons (de cinza) da miséria. R. Bras. Clin. Med. 10(3): 226-230. São Paulo, Mai.-Jun. 2012

BARREIRA, D. GRANGEIRO, A. A avaliação das estratégias para controle da tuberculose no Brasil. 2007

NETTO, A. R. SOUZA, A. M. Reforma do setor de saúde e controle da tuberculose no Brasil. Informe Epidemiológico do SUS. vol. 8, n. 4 Brasília dez.1999

OKIE, S. Fighting HIV – Lessons from Brazil. NEJM, v.354, n.19, p.1977-81, 2006.

DRECO, D. B. A epidemia da Aids: impacto social, científico, econômico e perspectivas

Estud. av. vol.22 no.64 São Paulo Dec. 2008

AGOSTINI, R. et al. A resposta brasileira à epidemia de HIV/AIDS em tempos de crise. 2020.

PALACIUS, R. MATHIAS, A. Aprendendo com programas combinados de prevenção do HIV para enfrentar a pandemia emergente de Covid-19, 2020

MENDES, A. G. et al. Enfrentando uma nova realidade a partir da síndrome congênita do vírus Zika: a perspectiva das famílias, 2020

NELVO, R.V. Zika: do sertão nordestino à ameaça global [Resenha]. Sex Salud Soc (Rio J.) 2016; (24):246-54.

DEVAKUMAR, D. et al. Infectious causes of microcephaly: epidemiology, pathogenesis, diagnosis, and management. Lancet Infect Dis 2018; 18:e1-13.

ALBUQUERQUE. Et al. Epidemia de microcefalia e vírus Zika: a construção do conhecimento em epidemiologia. Cad. Saúde Pública 2018; 34(P):e00069018

AQUINO, D. F. BUFFON, P. B. S. Elementos históricos da zika no Brasil. 2019

XIONG, J. et al. Impact of COVID-19 pandemic on mental health in the general population: a systematic review. Journal of Affective Disorders. 277: 55–64 , 1 december, 2020

ORNELL, F. et al. “Pandemic fear” and COVID-19: mental health burden and strategies. Brazilian Journal of Psychiatry, 2020

ALBUQUERQUE, M. F. P.; MARTELLI, C. M. T. Epidemia de microcefalia y vírus zika: la construccion del conocimento em epidemiologia. 2018.

PAVINATI, G. et al. Perfil clínico dos pacientes acometidos pela Covid-19: revisão integrativa. Brazilian Journal of Development, v. 7, n. 7, p. 74945 -74964, 2021. DOI: 10.34117/bjdv7n7-59

DEVECHI, A. C. R. et al. Complicações neurológicas associadas à infecção por COVID-19: uma revisão integrativa. Brazilian Journal of Development. v.7, n.10, p. 94952-94970 oct. 2021




DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n11-080