Avaliação do uso da nisina para o controle da contaminação bacteriana em fermentação alcoólica de milho/ Evaluation of the use of nisin to control bacterial contamination in ethanol fermentation of corn

João Vitor Lago, Alany Furlaneto da Silva, Enzo Raphael de Arruda Lara, Fernanda Karine do Carmo Félix

Abstract


A produção de etanol no Brasil se faz por processos fermentativos utilizando a levedura Saccharomyces cerevisiae, o que resulta na conversão de açúcares em etanol e dióxido de carbono. Contudo, o processo fermentativo é realizado de forma não asséptica, consequentemente, casos de contaminação ocorrem, reduzindo produtividade de etanol. As bactérias láticas são as culturas contaminantes mais comuns no processo fermentativo, levando a produção de ácido lático, além da competição por nutrientes. Algumas estratégias como o uso de lavagens ácidas e antibióticos apresentam eficiência no controle de contaminantes, contudo, apresentam efeito sobre a levedura e induz resistência bacteriana, respectivamente. Diante do cenário, o presente estudo apresentou o propósito de avaliar o uso da bacteriocina nisina para controle da contaminação, por meio de análise em cromatografia líquida de alta eficiência, além da análise da viabilidade da levedura por meio de contagem em câmara de Neubauer. A adição de 20 UI/mL de nisina ao meio para fermentação apresentou melhor resultado para controle na produção de ácido lático, sendo a concentração suficiente para reduzir o teor de ácido lático (0,19 %) e estabelecer uma conversão vantajosa de glicose em etanol, com teores de etanol de 9,95 % e 13,37 % de etanol, em 24 e 48 horas de fermentação, respectivamente. Ademais, a nisina não influenciou de forma negativa na viabilidade da levedura em concentrações inferiores à de 20 UI/mL. O uso da nisina prova-se uma alternativa para o uso do antibiótico convencional, devido a sua similaridade de controle, e pode ser inativada em elevadas temperaturas, sem apresentar formas residuais.


Keywords


fermentação alcóolica, contaminação bacteriana, nisina.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv8n5-024