Fatores associados à episiotomia em um hospital-escola do Triângulo Mineiro / Factors associated with episiotomy in a teaching hospital in the Triângulo Mineiro

Bruna Martins Arosti, Cláudia de Azevedo Aguiar, Ana Paula Fernandes

Abstract


Evidências científicas têm demonstrado que o uso rotineiro da episiotomia não traz benefícios à mãe; ao contrário, este procedimento pode resultar em desfechos maternos negativos. Analisar os fatores associados à realização de episiotomia em um hospital universitário mineiro. Estudo transversal retrospectivo, realizado com dados secundários de prontuários de mulheres submetidas à episiotomia em 2017, em um hospital-escola do Triângulo Mineiro. A coleta ocorreu entre out/2018 e ago/2020. As variáveis categóricas foram tratadas em frequências absolutas e relativas e teste Qui-quadrado. A amostra foi clusterizada por intermédio das variáveis idade, paridade e episiotomia. A episiotomia foi realizada em 39,9% dos partos. Primíparas foram mais submetidas ao procedimento (58%) e a intercorrência mais comum no puerpério foi o uso de gelo e/ou banho de assento para alívio da dor perineal (76%), sendo que destas, 15% queixaram-se de dor intensa na região. Identificou-se 9,4 vezes mais chances de intercorrência nos puerpérios imediato e mediato, dado a ocorrência de episiotomia. Houve associação entre idade e episiotomia, indicando que mulheres menores de 18 anos tiveram 3,4 vezes mais chances de serem submetida à episiotomia. Verificou-se, ainda, associação entre episiotomia e paridade, onde primíparas tiveram 6,6 vezes mais chances de sofrerem episiotomia do que as multíparas.A prática da episiotomia ocorreu de maneira incompatível com as recomendações da OMS e das evidências científicas, demonstrando urgência na reavaliação das práticas assistenciais naquela instituição.


Keywords


episiotomia, saúde materna, parto, assistência à saúde.

References


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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv8n5-135