Estimativa de impermeabilização do solo urbano correlacionada à densidade populacional na fronteira Brasil – Bolívia / Estimation of urban soil sealing correlated to population density in the Brazil - Bolivia border

Marília Almeida Teixeira de Carvalho, Detlef Hans Gert Walde

Abstract


O acentuado processo de urbanização nas últimas décadas fez com que ocorressem modificações rápidas e intensas no meio ambiente, tornando urgente a necessidade de conciliar a expansão territorial com a utilização dos recursos naturais. No estudo da hidrologia urbana é de fundamental importância que se conheça detalhadamente as características da ocupação do solo, uma vez que esse fator influencia diretamente no aumento do pico de escoamento superficial e na ocorrência de enchentes e alagamentos, além de outros impactos, como acréscimo na produção de sedimentos devido à falta de proteção das superfícies, degradação dos mananciais em decorrência do transporte de materiais e ligações clandestinas de esgoto e obstrução de córregos, condutos e canais por resíduos sólidos. Para tanto, é de fundamental importância o entendimento da lógica da ocupação urbana, visando a compreensão das circunstâncias espaciais, territoriais e ambientais que ali ocorrem. Isso pode ser realizado através do mapeamento de áreas impermeáveis utilizando de forma integrada o Sistemas de Informações Geográficas (SIG) e imagens de sensoriamento remoto, cuja principal vantagem é a apresentação de informações atualizadas. Diante disso, este trabalho tem como objetivo quantificar o percentual de áreas impermeáveis dos Municípios de Corumbá – BR, Ladário – BR e Puerto Quijarro – BO e estabelecer sua relação com a densidade populacional. A quantificação foi executada através do método de classificação supervisionada pixel a pixel em imagens de satélite de alta resolução espacial. Para a realização da classificação foram coletadas amostras das classes de interesse de diferentes fisionomias, através da extração de polígonos. As classes de vegetação e solo exposto foram consideradas como áreas permeáveis, enquanto as amostras de áreas construídas (telhados, calçadas, estacionamentos e construções em geral) e ruas pavimentadas foram consideradas como áreas impermeáveis. A partir da classificação das imagens foi possível verificar o aumento da quantidade de áreas impermeáveis em todos os cenários analisados, tornando evidente que a área impermeável é uma variável que depende da densidade populacional da região.


Keywords


área impermeável, geoprocessamento, densidade populacional.

References


ALVARADO, Daniel Humberto Saavedra. Estudo de impermeabilização da Microbacia do Rio Vila Guaíra de Curitiba-PR a partir da análise temporal com imagens de alta resolução para o período 2000 – 2010. 2017. 26 f. Monografia (Especialização) - Curso de Geografia, Setor de Ciências da Terra, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2017.

BATISTA, Daiane Cardoso Lopes; VIEIRA, Antonio Fábio Sabbá Guimarães; MARINHO, Rogério Ribeiro. Uso do "Google Earth Pro" no mapeamento de voçorocas na área urbana de Manaus (AM), brasil. Geosaberes, Fortaleza, v. 10, n. 20, p. 1-12, abr. 2019.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988.

BRASIL. Lei Federal n° 10.257, de 10 de julho de 2001. Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências. Disponível em: . Acesso em: 04 out. 2021.

CAMPANA, Nestor Aldo; TUCCI, Carlos Eduardo Morelli. Estimativa de área impermeável de macrobacias urbanas. Revista Brasileira de Recursos Hídricos, v. 12, n° 2, p. 79 – 94, 1994.

CONGALTON, Russell G. (1991) A review of assessing the accuracy of classifications of remotely sensed data. Remote Sensing Environment, 37, 35–46. doi: https://doi.org/10.1016/0034- 4257(91)90048- B

CORUMBÁ. Lei complementar nº 098, de 09 de outubro de 2006. Dispõe sobre a instituição do Plano Diretor do Município de Corumbá e dá outras providências. Corumbá, 2006.

FERREIRA, Valéria. Estatística básica. Rio de Janeiro: SESES, 2015. 184 p.

GOMIDE, Alexandre de Ávila. Mobilidade Urbana, Iniquidade e Políticas Sociais. IPEA, São Paulo, v. 12, p. 242-250, fev. 2006.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. v.36. Rio de Janeiro: IBGE, 1958. 318 p.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Censo Brasileiro de 2000. Rio de Janeiro: IBGE, 2000.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Censo Brasileiro de 2010. Rio de Janeiro: IBGE, 2010.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Cidades: Corumbá. 2020. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/ms/corumba/panorama. Acesso em: 27 abr. 2021.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Cidades: Ladário. 2020. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/ms/ladario/panorama. Acesso em: 27 abr. 2021.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Estimativas da População. 2020. Disponível em: https://ftp.ibge.gov.br/Estimativas_de_Populacao/Estimativas_2020/estimativa_dou_2020.pdf. Acesso em: 27 abr. 2021.

Instituto Nacional de Estadística (INE). Censo Nacional de Población y Vivienda 2001. 2001. Disponível em: https://nube.ine.gob.bo/index.php/s/zqqfpuNQpNsdO6Q/download. Acesso em: 27 abr. 2021.

Instituto Nacional de Estadística (INE). Censo Nacional de Población y Vivienda 2012. 2012. Disponível em: https://nube.ine.gob.bo/index.php/s/bROAGTD7pFvBP1f/download. Acesso em: 27 abr. 2021.

Landis, J. Richard; Koch, Gary Grove. (1977) The measurement of observer agreement for categorical data. Biometrics, 33, p. 159-174.

LEITE, Carlos. Cidades sustentáveis cidades inteligentes: desenvolvimento sustentável num planeta urbano. Porto Alegre: Bookman, 2012. 278 p.

MATO GROSSO DO SUL. Mato Grosso do Sul sem fronteiras: características e interações territoriais: Brasil, Bolívia, Paraguai. 1. ed. Campo Grande: SEBRAE, 2010. 256 p.

MENEZES FILHO, Frederico Carlos Martins de; TUCCI, Carlos Eduardo Morelli. Alteração na relação entre densidade habitacional x área impermeável: Porto Alegre – RS. Revista de Gestão de Água da América Latina, Porto Alegre, v. 9, n. 1, p. 49-55, jun. 2012.

MOREIRA, Mauricio Alves; ADAMI, Marco; RUDORFF, Bernardo Friedrich Theodor; BERNARDES, Tiago. Uso de imagens do Google Earth capturadas através do software stitch map e do TM/Ladsat-5 para mapeamento de lavouras cafeeiras: nova abordagem metodológica. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO REMOTO, 15., 2011, Curitiba. Anais [...]. Curitiba: Inpe, 2012. p. 481-488.

NOVO, Evlyn Márcia Leão de Moraes. Sensoriamento Remoto: princípios e aplicações. 3. ed. São Paulo: Blucher, 2008. 363 p.

OLIVEIRA, Tito Carlos Machado de. Território sem limites: estudos sobre fronteiras. 1. ed. Campo Grande: UFMS, 2005. 650 p.

POLETO, Cristiano. Bacias Hidrográficas e Recursos Hídricos. Rio de Janeiro: Interciência, 2014. 249 p.

SILVA, Marcelo da Fonseca Ferreira; CRUZ, César Albenes de Mendonça. Gestão e planejamento urbano – uma análise do plano diretor urbano da cidade de Vitoria-ES. Brazilian Journal Of Development, [S.L.], v. 6, n. 4, p. 17134-17156, abr. 2020.

SIRVINSKAS, Luís Paulo. Manual do Direito Ambiental. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2018. 819 p.

WWF BRASIL; SOS PANTANAL. Monitoramento das Alterações da Cobertura vegetal e uso do Solo na Bacia do Alto Paraguai – Porção Brasileira – Período de Análise: 2012-2014. Brasília: 2015.




DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv8n5-140