O outro como inimigo: análises de discursos de ódio entre internautas a partir das publicações do jornal Folha de São Paulo / The other as an enemy: analyzes of hate speech among internet users based on the publications of the Folha de São Paulo newspaper

Leonardo Vandré dos Santos Siqueira, Elton André Silva de Castro, Maria de Lourdes Alves Arruda, Aryanne Keila Alves Veras, Pedro Vinícius Alcântara Oliveira

Abstract


Este trabalho teve como propósito conhecer e compreender como os afetos implicados em discursos de ódio são capazes de tensionar e hierarquizar as subjetividades dos internautas. O material empírico de análise foi construído a partir de extrações de publicações de notícias dentre outras modalidades de expressões textuais, presentes no site do jornal Folha de São, Paulo e suas redes sociais. As análises acompanharam e observaram os processos de significação, responsáveis por vincular sujeitos entre si, configurando assim a formação de alianças ou comportamentos de oposição entre os internautas. Uma vez que as extrações fossem consideradas pertinentes ao estudo, estas foram realizadas através de prints screens que incluíam o texto jornalístico, imagens e os comentários realizados pelos internautas. Os dados originais foram conservados para posteriormente serem analisados, constituindo assim o corpus de análise. Todo o conjunto de informações foi submetido à Análise de Conteúdo temática de Bardin (1991). Podemos destacar que os internautas passaram a definir e qualificar os outros com quem interagiam com aqueles com posicionamento político divergente como “esquerdinhas”, “queima roda” e “meu caro queima roda”, combinações que tensionam a diferença política e acrescentam teor homofóbico ao discurso. Identificou-se a presença de estereótipos como “jumentos e gados” para qualificar integrantes da direita e esquerda. A violência de gênero foi identificada com o uso de “sua mãe arregaçada”. A associação entre homoerotismo, homoafetividade e pedofilia se fez presente quando trataram da Igreja Católica. A expressão “tipo de gente” foi utilizada para qualificar diferenças subjetivas e produzir misoginia. Com as análises e a partir dos referenciais teóricos tornou-se possível a identificação da presença de interações entre internautas constituindo assim os diversos processos de significação em seus discursos. Também foram identificados marcadores afetivos durante a produção desses discursos de ódio. Além disso, pode-se afirmar que as interações observadas nas redes sociais proporcionam uma experiência moderna para os internautas, os constituindo virtualmente como sujeitos. De maneira geral, foi possível identificar em diversos momentos, a produção de discursos de ódio que visam o outro como um inimigo passível de eliminação, especialmente quando divergências políticas e ideológicas ficaram visíveis e tensionadas.


Keywords


discurso de ódio, Folha de São Paulo, internautas, significação, outro.



DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv8n5-149