Relação entre perda gestacional e o desenvolvimento de episódio depressivo / Relationship between pregnancy loss and development of depression

Iehudhe Ravel Farias de Albuquerque, Gilmario Nunes de Almeida Filho, Dieggo Jefferson Silva Melo, Bernadete Barros Ceryno, Laércio Pol-Fachin

Abstract


INTRODUÇÃO: Avanços na medicina têm sido notórios nas últimas décadas, que refletiram também no aprimoramento das consultas pré-natal e na atenção à saúde da gestante e do feto, visando reduzir os riscos da gestação. O processo envolvido entre o luto e a aceitação da perda depende diretamente de fatores como, motivações e expectativas para a gestação, possíveis perdas secundárias e a rede de apoio social na qual na qual a gestante dispõe. OBJETIVOS: Avaliar a incidência de episódio depressivo em mulheres que passaram por perda gestacional. Estabelecer uma relação entre aborto e desenvolvimento de depressão. Avaliar a relação entre mãe de natimorto e desenvolvimento de episódio depressivo. Analisar o processo de luto decorrente da perda gestacional. METODOLOGIA: Revisão sistemática de literatura, utilizando as bases de dados Scielo, Lilacs e Pubmed. Foram selecionados artigos dos últimos 12 anos que se adequaram ao tema, independente do periódico de publicação. Utilizou-se os descritores: LUTO, PERDA GESTACIONAL, DEPRESSÃO E ABORTO, associadas ao operador booleano AND.  RESULTADOS E DISCUSSÃO: Foram encontrados 669 artigos, delimitados dos últimos 12 anos, e após aplicados os critérios de inclusão e exclusão, chegou-se ao número de 40 artigos, destes, 13 foram selecionados por melhor se adequarem ao tema e foram lidos na íntegra, após a leitura, 10 artigos foram selecionados para compor essa revisão. Em estudos foi avaliada a relação entre o AER (Aborto Espontâneo de Repetição) e o desenvolvimento de Depressão, além da condição sexual dessas mulheres com AER. Tais mulheres desenvolveram mais depressão e problemas na função sexual. Além disso, estudos avaliaram a ordem que se dá o luto, e se necessariamente todos os indivíduos passam por todas as fases. Outro estudo envolvendo 523.280 mulheres com idades entre 18 e 36 anos tentou correlacionar o aborto e risco de suicídio, e obteve como resultados uma não relacão entre ambos, mas entre aborto e indicadores de saúde mental da mulher, dos pais e menos nível de escolaridade. CONCLUSÃO: Gestantes que passaram por AER, cursam com duas vezes mais depressão que as demais gestantes, além de comprometimento da função sexual. O luto pode pular algumas fases, ou não se apresentar na mesma sequência para todas as pessoas. O aborto não aumenta o risco de suicídio. São necessários mais estudos que relacionem depressão decorrente de morte fetal.


Keywords


luto, perda gestacional, depressão e aborto.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv8n5-261