“O tempo do direito”, de François Ost: a relação entre tempo, direito e meio ambiente / “The time of law", by François Ost: the relationship

Silmara Saraiva Marques dos Santos, Lucas de Souza Lehfeld

Abstract


O tempo para François Ost implica a existência do “poder” na condição de objeto jurídico. Através da indicação de quatro figuras de retemporalização: a memória, o perdão, a promessa e o requestionamento, Ost propõe a justa medida dos tempos como garantia de existência de “herança” a ser transmitida às futuras gerações. Entretanto, a sociedade contemporânea, marcada pela “crise de cultura” identificada por Hannah Arendt, não concebe os atos de ligar e desligar o passado, com naturalidade e ética. Consolidam-se verdades “imediatistas” instituindo um processo de dominação, conforme retratado por Ulrich Beck. A obra “O Tempo do Direito” de François Ost não fundamenta o relativismo irrefletido, mas a revisão do direito de acordo com a tradição. Ost nos propõe a compreensão do “tempo do direito” a partir da reconstrução da história, a fim de que surjam novos tempos em um meio ambiente ressignificado a partir da experiência do passado. Na concepção de Hans Jonas, esse futuro da humanidade inclui, obviamente, o futuro da natureza como condição sine qua non, posto que o menosprezo da tradição e a supervalorização do presente, não só reduz a memória a migalhas, mas afasta o ideal de futuro como promessa. 


Keywords


françois ost, tempo, direito, retemporalização, meio ambiente.

References


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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv8n5-345