A estetização da vida cotidiana em Nietzsche: a recondução da aura para o encantamento artístico da singularidade perdida / The aestheticization of everyday life in Nietzsche: the reconduction of the aura to the artistic enchantment of the lost singularity

Dalila Miranda Menezes

Abstract


Quantos de nós ainda apreciamos as estonteantes formas de uma montanha em seu esplendor resguardado pela distância? Quantos de nós ainda apreciamos a beleza paralisante de um crepúsculo onde o sol matizado de cores alaranjadas se debruça sobre o mar? O presente artigo procura investigar as motivações por trás das ações recorrentes em nossa epocalidade onde se privilegia a reprodução da imagem por artefatos tecnológicos – celulares e similares – de objetos, paisagens e situações cotidianas, em detrimento da própria vivência e fruição destas mesmas situações. Neste sentido, a exposição conserva uma articulação interna organizada em dois momentos distintos: num primeiro momento, recorremos a uma breve gênese deste fenômeno acolhendo as indicações de Walter Benjamin na sua discussão da perda ou destruição da aura por conta da perda da unidade e da durabilidade propiciadas pela intensificação dos movimentos de massa; no segundo momento, indagaremos com Nietzsche, como seria possível a reconfiguração estético-cotidiana da vida, trazendo a arte para o âmbito da inspiração necessária para a disciplina dos impulsos e restaurando, ao nível da singularidade, a unidade e a temporalidade perdidas.


Keywords


vida, estética, cotidiano, criação.

References


AZEREDO, Vânia Dutra de. Nietzsche e a aurora de uma nova ética. São Paulo: Humanitas; Ijuí: Unijuí, 2008.

BARRENECHEA, Miguel Angel de. Nietzsche e o corpo. Rio de Janeiro: 7 letras, 2009.

_______________. Nietzsche e a liberdade. 2° ed. Rio de Janeiro: 7 letras, 2008.

_______________. Nietzsche e a alegria do trágico. Rio de Janeiro: 7 letras, 2014.

_______________. Ecce Homo: a universalidade do mais singular. In: Filosofia e (an)danças, por Barrenechea, M. A. de et da Cunha, M.H.L et al (Org.). Rio de Janeiro: 7 letras, 2017.

BENCHIMOL, Márcio. Apolo e Dionísio: arte, filosofia e crítica da cultura no primeiro Nietzsche. São Paulo: Annablume: Fapesp, 2002.

BENJAMIN, W. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. Trad. Sergio Paulo Rouanet. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1996.

DELEUZE. Gilles. Nietzsche et la philosophie. 6° ed. Paris: Presses Universitaires de France. 2010.

DIAS, Rosa Maria. Nietzsche, vida como obra de arte. Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 2011.

______________. Nietzsche Educador. 3° ed. São Paulo: Scipione, 2003.

Dicionário Nietzsche [editora responsável Scarlett Marton]. – São Paulo: Edições Loyola, 2016. – Sendas e Veredas. Apoio: GEN – Grupo de Estudos Nietzsche.

GIACOIA, Oswaldo. Nietzsche: o humano como memória e como promessa. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.

_______________. Nietzsche x Kant. Rio de Janeiro: Casa da palavra; São Paulo: Casa do saber, 2012.

_______________. Nietzsche. São Paulo: Publifolha, 2000.

_______________. Nietzsche e para além de bem e mal. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2002.

_______________. Nietzsche como psicólogo. Rio Grande do Sul: Editora unisinos, 2006.

_______________. Nietzsche: para a genealogia da moral. São Paulo: Scipione, 2008.

_______________. Nietzsche: perspectivismo, genealogia, transvaloração. In: Dossiê Cult, filosofia contemporânea: Nietzsche, Heidegger e Sartre, por MIRANDA, Carlos Eduardo Ortolan (org.) São Paulo: Editora 17, 2003.

FREUD, Sigmund. Mal-estar na civilização. In: Os Pensadores. Trad. José Otávio de Aguiar e Paulo Henrique Brito. São Paulo: Ed. Abril, 1978

HEBER-SUFRIN, Pierre. O “Zaratustra” de Nietzsche. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1991.

ITAPARICA, André Luis Mota. Nietzsche: estilo e moral. São Paulo: Discurso Editorial; Editora Unijuí, 2002.

KAUFMAN, Walter. Nietzsche: Philosopher, Psychologist, Antichrist. 4° edition. Princeton, New Jersey: Princeton University Press, 1974.

LEFRANC, Jean. Compreender Nietzsche. Tradução de Lúcia M. Endlich Orth. Petrópolis: Editora Vozes, 2005.

MACHADO. Roberto. Nietzsche e a verdade. Rio de Janeiro: Graal, 2002.

_______________. Zaratustra: tragédia nietzschiana. 4° edição: Rio de Janeiro: Zahar, 2011.

_______________. O nascimento do trágico: De Schiller a Nietzsche. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.

MARTON, Scarlett. Das forças cósmicas aos valores humanos. São Paulo: editora brasiliense, 1996.

_______________. Nietzsche: a transvaloração dos valores. São Paulo: Coleção logos, 1996.

MÜLLER-LAUTER, Wolfgang. A doutrina da vontade de poder em Nietzsche. Tradução de Oswaldo Giacóia Junior. São Paulo: Anablume, 1997.

_______________. Nietzsche: sua filosofia dos antagonismos e os antagonismos de sua filosofia. Tradução de Clademir Araldi. São Paulo: Editora Unifesp, 2009.

NEHAMAS, Alexander. Nietzsche: life as literature. Cambridge, Massachusetts, London, England: Harvard University Press, 1985.

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Sämtliche Werke. Kritische Studienausgabe (KSA). Organizada por Giorgio Colli e Mazzimo Montinari. Berlin, New York, Munique: Gruyter & Co., 1967-77.

_______________. Obras incompletas. Tradução Rubens Rodrigues Torres Filho. São Paulo: Abril Cultural, 1974. (Coleção Os Pensadores).

_______________. A gaia ciência. Tradução de Paulo César de Sousa. São Paulo: Companhia das letras, 2001.

_______________. Além do bem e do mal. Tradução de Paulo César de Sousa. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

_______________. Assim falou Zaratustra. Tradução de Paulo César de Sousa. São Paulo: Companhia das Letras, 2011

_______________. Aurora. Tradução de Paulo César de Sousa. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

_______________. A grande política, fragmentos. Introdução, seleção e tradução de Oswaldo Giacoia. Campinas: editora Unicamp, 2002.

_______________. Crepúsculo dos Ídolos. Tradução de Paulo César de Sousa. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

_______________. Ecce Homo: como alguém se torna o que é. Tradução de Paulo César de Sousa. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

_______________. Fragmentos do Espólio: julho de 1882 a inverno de 1883/ 1884. Seleção, Tradução e Prefácio de Flávio R. Kothe. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2004.

_______________. Fragmentos do Espólio: primavera de julho de 1884 a outono de 1885. Seleção, Tradução e Prefácio de Flávio R. Kothe. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2008.

_______________. Fragmentos Finais. Seleção, Tradução e Prefácio de Flávio R. Kothe. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2007.

_______________. Fragmentos Póstumos: 1887-1889. Volume VII. Tradução de Marco Antônio Casanova. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012.

_______________. Genealogia da moral. Tradução de Paulo César de Sousa. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

_______________. Humano, demasiado humano. Volume I. Tradução de Paulo César de Sousa. São Paulo: Companhia das letras, 2005.

_______________. Humano, demasiado humano. Volume II. Tradução de Paulo César de Sousa. São Paulo: Companhia das letras, 2008.

_______________. O nascimento da tragédia. Tradução, notas e posfácio: J. Guinsburg. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

WOTLING, Patrick. Le vocabulaire de Nietzsche. Paris: Ellipses Édition. 2001.




DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv8n6-134