Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade: análise qualitativa e quantitativa de um Município do oeste de Santa Catarina / Attention deficit hyperactivity disorder: a qualitative and quantitative analysis of a City in western Santa Catarina

Gabriela Simionato, Patricia Spuldaro, Ana Cristina Acorsi

Abstract


O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) pode ser considerado um dos diagnósticos mais determinados às crianças e adolescentes na contemporaneidade, justificando dificuldades de aprendizagem, agitação e inquietação. O objetivo da pesquisa foi traçar o perfil epidemiológico de crianças com TDAH, identificar a terapêutica proposta, conhecer a percepção dos educadores a respeito do efeito do tratamento sobre os alunos e identificar as práticas pedagógicas destes profissionais. Foram analisados 82 prontuários de crianças de 6-12 anos atendidas pelo Serviço de Atenção à Saúde do Escolar do município de Chapecó, SC, no período de 2014-2019. As variáveis analisadas foram sexo, idade, escolaridade, comorbidades, relações familiares e tratamento. Foi aplicado um questionário em 16 professores de escolas municipais cujos tópicos avaliados foram: o comportamento da criança em sala, a percepção do profissional sobre a conduta da criança em tratamento e como funciona o planejamento das aulas. Os dados epidemiológicos obtidos foram semelhantes aos já existentes na literatura: 67 crianças são do sexo masculino (81,7%); a média de idade 8,7 anos; a série com maior prevalência foi a 3ª (26,8%). O fármaco com maior frequência de prescrição foi o metilfenidato (31,8%). Todas as crianças foram acompanhadas por psicopedagogos e 78% por psicólogos. A psicoterapia e a terapia cognitivo-comportamental se caracterizam como peças importantes na evolução do aprendizado. Ainda, os efeitos do metilfenidato nas crianças podem tanto inibir as atividades espontâneas, deixando-as sonolentas, quanto melhorar o foco e processamento de informações. Por fim, a totalidade dos docentes entrevistados faz adaptações no planejamento de aulas e métodos de avaliação visando atividades mais lúdicas.


Keywords


medicalização, psiquiatria infantil, metilfenidato, educação infantil.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv8n6-151