Cadê o cérebro que “tá” aqui? Incluindo o cérebro no ensino de ciências nos anos iniciais / Where is the brain that "is" here? Including the brain in science education in the early years

Noemi Gonçalves Delgado, Luciano Luz Gonzaga

Abstract


O presente trabalho é resultado de uma pesquisa de Mestrado Profissional em Ensino das Ciências e tem como objetivo principal apresentar uma proposta de inclusão do cérebro como parte do corpo humano a ser estudado nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, a partir de um produto educacional interativo denominado My Brain. Para esta finalidade foi produzido um protótipo do cérebro humano totalmente dinamizado. Foram feitos cinco encontros formativos com estudantes do 1º ano de escolaridade, em uma escola pública da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro/RJ. Todo o processo formativo foi registrado e articulado com entrevistas focalizadas (GIL, 2002; 2019) com os professores da instituição de ensino. A Análise Textual Discursiva (GALIAZZI; MORAES, 2006) foi a técnica utilizada para analisar os discursos das professoras. Aportes teóricos do ensino de ciências (GOUVÊA; LEAL, 2003; SILVA; LORENZETTI, 2018), do campo do currículo (SILVA, 2005; CANDAU, 2020; MOREIRA, 2012), do cérebro humano (BEAR, 2008; KANDEL, 2014; LENT, 2008; 2010; 2017; 2019;) e os ordenamentos normativos em nível nacional (BRASIL, 1997a; 1997b; 2018) e municipal (RIO DE JANEIRO, 2020) serviram de base para as nossas discussões. Como resultados, evocaram-se três categorias nas narrativas das professoras: 1) Lacuna na formação; 2) Ausência do tema nos Currículo oficiais e 3) Falta de recursos e materiais. Em relação aos alunos, percebemos um movimento de abertura para compreender o cérebro humano para além do senso comum, avançando na compreensão de que o cérebro é responsável por promover interação entre todas as partes do corpo, inclusive com relação às emoções.


Keywords


ensino de ciências, cérebro humano, anos iniciais do ensino fundamental.

References


BEAR, Mark, F.; Barry, W.; Michael, A. Neurociências: desvendando o sistema

nervoso. Porto Alegre: Artmed, 2008.

BOSSA, Nádia, A. (Org.). Avaliação psicopedagógica da criança de sete a onze

anos. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.

BOURDIEU, Pierre. Os usos sociais da ciência: por uma sociologia clínica do

campo científico. São Paulo, SP: Unesp, 2004.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília:

GALIAZZI, Moraes Roque; CARMO, Maria do. Análise textual discursiva: processo

reconstrutivo de múltiplas faces. Ciência & Educação, Bauru, v. 12, n. 1, p. 117-

128, 2006.

GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 6. ed. – São Paulo:

Atlas, 2018

GOUVÊA, Guaracira; LEAL, Maria C. Alfabetização científica e tecnológica e os museus de Ciência. Educação e museu–a construção social do caráter educativo dos museus de ciência. Rio de Janeiro: ACCES, 2003.

GUARÁ, Isa Maria F. Rosa. É imprescindível educar integralmente. Cadernos

Cenpec | Nova série, [S.l.], v. 1, n. 2, ago. 2006. ISSN 2237-9983.

HERCULANO-HOUZEL, Suzana. Você conhece seu cérebro? Uma pesquisa sobre a alfabetização em neurociência pública no final da década do cérebro. O Neurocientista, v. 8, n. 2, pág. 98-110, 2002.

KANDEL. E; et al: Princípios de Neurociências. Porto Alegre, AMGH Editora: 2014

LENT, Roberto: Neurociência da Mente e do Comportamento. Coordenador. -

Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.

LENT, Roberto: Cem Bilhões de Neurônios? Conceitos Fundamentais de

Neurociência. Rio de Janeiro: 2ª edição. Atheneu, 2010

LENT, Roberto: Ciência para educação - Uma ponte entre dois mundos. Rio de

janeiro: Editora Atheneu; 1ª edição, 2017

LIBBERMAN, M. D. Social – Why our brains are wired to connect. New York:

Crown Publishers, 2013.

LIMA, Maria Emilia Caixeta de Castro; MAUÉS, Ely. Uma releitura do papel da professora das séries iniciais no desenvolvimento e aprendizagem de ciências das crianças. Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências (Belo Horizonte), v. 8, p. 184-198, 2006.

LORENZETTI, L; DELIZOICOV, D., Alfabetização científica no contexto das séries iniciais, Ensaio – Pesquisa em Educação em Ciências, Belo Horizonte, v.3, n.1, p. 37-50, jan.-jun., 2001.

MÓNICO, L.; ALFERES, V.; PARREIRA, P.; CASTRO, PA. A Observação Participante enquanto metodologia de investigação. Investigação Qualitativa em Ciências Sociais, v. 3 p. 724 - 733 - CIAIQ 2017.

MOREIRA, Antônio Flavio. Em busca da autonomia docente nas práticas curriculares. Revista Teias, v. 13, n. 27, p. 27-47, jan.-jun., 2012.

PIAGET, Jean; BRAGA, Ivette. Para onde vai a educação? J. Olympio, 1973.

RABELLO, S. H. D. S. A Criança, seu Corpo, suas Ideias. Ensino em Re-Vista, n. 3, v. 1, p. 15-29, Jan./dez., 1994

SOUZA, J. de; KANTORSKI, L. P.; LUIS, M. A. V. ANÁLISE DOCUMENTAL E OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE NA PESQUISA EM SAÚDE MENTAL. Revista Baiana de Enfermagem‏, [S. l.], v. 25, n. 2, 2012.

SIEGEL, Daniel J.: O cérebro da criança: 12 estratégias revolucionárias para

nutrir a mente em desenvolvimento do seu filho e ajudar sua família a prosperar.

ªedição. São Paulo, 2015

TIEPPO, Carla. Uma viagem pelo cérebro: A via rápida para entender neurociência: 1a edição revisada e atualizada. Editora Conectomus, 2019.

TRIVELATO, Silvia, L., F. Ensino de biologia: conhecimentos e valores em disputa. Capítulo: Que corpo/ Ser humano habita nossas escolas? Niterói: Eduff, 2005.

VYGOTSKY L. A formação social da mente. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes,

WEILL, Pierre. O corpo fala: a linguagem silenciosa da comunicação não-verbal. 7ª Edição. Petrópolis: Vozes, 1977.




DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv8n6-247