Resistência e contradições em assentamentos rurais no estado de Sergipe: O caso da produção da cana-de-açúcar em Japaratuba e do milho em Monte Alegre de Sergipe / Resistance and contradictions in rural settlements in the state of Sergipe: The case of sugarcane production in Japaratuba and corn in Monte Alegre de Sergipe

Givaldo Santos de Jesus, José Eloízio da Costa, Adriana Lisboa da Silva

Abstract


O presente trabalho tem como objetivo analisar o avanço da produção da cana-de-açúcar e do milho em assentamentos rurais no estado de Sergipe, destacando os municípios de Japaratuba e Monte Alegre. A escolha deste tema surgiu pelo interesse em compreender o avanço do agronegócio no estado de Sergipe, onde os usineiros e produtores de milho tem arrendado terras em assentamentos rurais com o objetivo de ampliar a sua produção. Metodologicamente, fizemos o levantamento e fichamento bibliográfico em teses, dissertações, livros e artigos sobre o tema estudado; realizamos o levantamento de dados nos Censos Agropecuários do IBGE (1985, 1995/96, 2006, 2017) e no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA; aplicamos entrevistas aos camponeses assentados, produtores de milho, representantes e trabalhadores da Usina Taquari (roda de conversa); mapeamos e fotografamos os municípios estudados. O município de Japaratuba, localizado no Território Leste de Sergipe e Monte Alegre, localizado no Território do Alto Sertão Sergipano, apresentam uma histórica e contraditória concentração fundiária, uma economia voltada para atender os interesses dos médios e grandes proprietários, e do mercado capitalista, tornando-se evidente à ampliação da terra para a produção da cana-de-açúcar e de pastagens para o desenvolvimento da pecuária ao longo do tempo. Todavia, essa realidade começou a mudar a partir da década de 1980, com a intensificação da mobilização de trabalhadores rurais e de importantes setores da sociedade em torno da discussão urgente de fazer uma reforma agrária em Sergipe. No Brasil e em Sergipe, a luta pela desapropriação das terras improdutivas não foi fácil, e quase quatro décadas depois, a maioria dos assentamentos amargam a falta de estrutura, assistência técnica, etc., e os programas governamentais, na sua maioria, não promovem melhorias significativas na vida dos assentados, e estes por sua vez, não conseguem produzir o suficiente para garantir a sobrevivência, principalmente, em tempos de crise como a atual. Então, em Monte Alegre de Sergipe, uma parte dos assentados estão arrendando e/ou vendendo suas terras para os produtores de milho, que querem ampliar sua área plantada e a produção de milho. Já em Japaratuba, as usinas de açúcar estão “incentivando” os assentados a produzir a cana e/ou arrendando as terras dos assentados para ampliar a produção da cana-de-açúcar, como a usina Taquari, localizada no município de Capela-Se. Por outro lado, o arrendamento e a produção da cana e do milho tem garantido a permanência dos assentados no campo, mesmo que de forma subordinada e contraditória.


Keywords


Assentamentos rurais, contradições, milho e cana-de-açúcar.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n1-192

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