A migração do campo para os centros urbanos no Brasil: da desterritorialização no meio rural ao caos nas grandes cidades / Migration from the countryside to urban centers in Brazil: from deterritorialization in rural areas to chaos in big cities

Authors

  • Carlos Alberto Sarmento do Nascimento
  • Márcio de Albuquerque Vianna
  • Diná Andrade Lima Ramos
  • Lamounier Erthal Villela
  • Daniel Neto Francisco
  • Riyuzo Ikeda Junior

DOI:

https://doi.org/10.34117/bjdv4n5-251

Keywords:

Mundo Rural, Mundo Urbano, Política Econômica, Reforma Agrária

Abstract

O objetivo central deste ensaio é discutir como as políticas econômicas adotadas no Brasil,a partir dos anos 1960, para o meio rural afetaram socioeconomicamente os pequenos produtores e trabalhadores rurais, acerca da questão agrária que contribuiu para a desterritorialização no campo e, assim, promoveu a migração de famílias para os centros urbanos. Buscou-se o método histórico-comparativo e crítico como análise, o qual possibilitou compreender o desenvolvimento das relações entre os espaços rurais e urbanos no país. Para tanto, adotam-se referências bibliográficas que abordam a dicotomia entre os espaços urbanos e rurais no Brasil, assim como o panorama sobre a relação campo e cidade por meio da implementação de políticas econômicas no período dos governos militares. Utiliza-se ainda de dados estatísticos de fontes como INCRA e o IBGE a fim de confirmar tais informações. Elaborou-se ainda, um panorama histórico e contextual da modernização conservadora do grande latifúndio e da expansão agro-mercantil do Brasil. Assim, ficou clara a opção brasileira pela via prussiana de estímulo ao latifúndio e de ignorar a reforma agrária e a importância de valorizar o desenvolvimento no campo por meio da agricultura familiar. Tal opção impactou diretamente na estrutura populacional brasileira, culminando na migração não planejada da população para os grandes centros urbanos, o que sinalizou descaso com a população rural e que afetou negativamente na então frágil infraestrutura urbana, que ainda comportou de forma desordenada os novos imigrantes. O modelo de desenvolvimento econômico nacional vigente da época,que previa atrair trabalhadores do campo para grandes centros, defendia a modernização do campo. Esse modelo promoveu um processo de desterritorialização em meio ao aumento de conflitos e da violência e morte no campo, impactando na estrutura social e econômica pelo inchaço dos centros urbanos brasileiros até os dias de hoje (HAESBAERT, 1995; 2012). A falta de políticas de manutenção dos pequenos agricultores no campo ajuda na promoção dos fluxos migratórios para os grandes centros urbanos, causando também o aumento da precariedade das habitações, pela falta de planejamento urbano que expande o quadro de moradias “subnormais” e violência urbana. Conclui-se que as políticas econômicas para o campo resultaram em situações conflituosas de cunho social e estrutural de acesso a bens públicos e privados nos grandes centros urbanos do Brasil e de evasão no campo.

References

ABRAMOVAY, Ricardo. Fundações e Medidas da Ruralidade no desenvolvimento contemporâneo. Rio de Janeiro /RJ : IPEA / Ministério do planejamento, orçamento e gestão, 2000.

ARAÚJO, Flávia Aparecida; SOARES, Beatriz Ribeiro. Relação Cidade-Campo: desafios e perspectivas. Revista de geografia agrária, v.4, n. 7, p. 201-229, fev. 2009

BENI, Mário Carlos. Globalização do turismo: megatendências do setor e a realidade brasileira. São Paulo: Aleph, 2003.

BERGAMO, Mônica. Não existe mais latifúndio no Brasil, diz a nova ministra da agricultura. Revista folha de São Paulo. 05 de janeiro de 2015, disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/01/1570557-nao-existe-mais-latifundio-no-brasil-diz-nova-ministra-da-agricultura.shtml>, Acesso em: 24.01.2015

BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. 4. Ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001.

CASTELLS, Manuel. A era da informação: economia, sociedade e cultura. São Paulo: Paz e terra, 1997

CARLOS, Ana Fani A. Seria o Brasil “menos urbano do que se calcula?”.

Disponível em: http://geografia.fflch.usp.br/publicacoes/geousp/geo. Acesso em 10.01.2015

COMISSÃO PASTORAL DA TERRA. Conflitos no Campo Brasil 2013. Goiânia. Abril de 2014

DE OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino. A política de reforma agrária no Brasil. Direitos humanos no Brasil 2009, 2009. p. 27.

DELGADO C. Guilherme. A Questão Agrária no Brasil, 1950-2003, in. Questão Social e Políticas Sociais no Brasil Contemporâneo. Brasília: IPEA, 2005. p. 51-90

ENDLICH, Ângela M. Perspectivas sobre o urbano e o rural. In: SPOSITO, M. E. B.; WHITACKER, A. M (org.). Cidade e campo: relações e contradições entre urbano e rural. São Paulo: Expressão Popular, 2006. p. 11-31

FREIRE, Paulo. Educação Como Prática da Liberdade. 1 ° Edição. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1967.

GALSTON, Willian A.; BAEHLER, Karen J Rural development in the United States — connecting theory, practice and possibilities. In. ABRAMOVAY, Ricardo. Fundações e Medidas da Ruralidade no desenvolvimento contemporâneo. Rio de Janeiro: IPEA. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, 2000.

GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.

GUEDES, Cézar Augusto Miranda; SILVA, Rocio. Denominações Territoriais Agroalimentares, Políticas e Gestão Social: Argentina, Brasil e a experiência espanhola no contexto europeu. In: VII Jornadas Interdisciplinarias de Estudios Agrários y Agroindustriales - realizadas na Universidade de Buenos Aires de 1 a 4 de novembro de 2014.

HAESBAERT, Rogério. A desterritorialização: entre as redes e os aglomerados de exclusão. In: CASTRO, I. E., GOMES, P. C. C., CORREA, R. L. Geografia: conceitos e temas. Rio de Janeiro. Bertrand Brasil, p. 165-201, 1995.

______. O mito da desterritorialização: do “fim dos territórios” à multiterritorialidade. 7ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012.

HOLANDA, Sergio Buarque. Raízes do Brasil. 26° Edição. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

IANNI, Octavio. O mundo agrário. In: IANNI, Octavio. A era do globalismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1996.

IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Agropecuário 2006, Rio de Janeiro, 2006. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/agropecuaria/censoagro/default.shtm>. Acesso em: 24 de janeiro de.2015.

IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2009, Rio de Janeiro, v. 30, 2009.

IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Contagem populacional: 1996. Disponível em: htpp://www.sidra.ibge.gov.br Acesso em: 10 de janeiro de 2015

IPEA – Instituto de Pesquisa Aplicada. Desenvolvimento Rural, in. Políticas Sociais: acompanhamento e análise. Brasília / DF, Capitulo 7. 2012.

LEFEBVRE. Henri. A cidade do capital. Rio de Janeiro / RJ: DP&A, 1999.

MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. (2009). Censo Agropecuário 2006. Agricultura Familiar: primeiros resultados – Brasil, grandes regiões e unidades da federação. Rio de Janeiro: IBGE. 2009

PRADO Jr. Caio. A Questão Agrária Brasileira, 5° Ed. São Paulo: Brasiliense, 2000

PRADO Jr, Caio. A Questão Agrária.4. Ed. São Paulo: Brasiliense, 1979.

QUEIROZ, Maria Isaura P. Cultura, sociedade rural, sociedade no Brasil. Rio de Janeiro: livros técnicos e científicos/USP, 1978.

RUA, João. A ressignificação do rural e as relações cidade-campo: uma contribuição geográfica. Revista Angepe, Fortaleza, n. 2, p. 45-66, 2005

SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo. Razão e emoção. São Paulo:Hucitec, 1996.

SPOSITO, Maria Encarnação. Beltrão; WHITACKER, ArthurMagon (org.). Cidade e campo: relações econtradições entre urbano e rural. São Paulo: Expressão Popular, 2006, p 111-130.

TENÓRIO, Fernando Guilherme. Cidadania e desenvolvimento local. 1° ed. Ijuí: Unijui, 2007.

VIANNA, Márcio de Albuquerque. A Agricultura Familiar em Seropédica-RJ: Gestão Social, Participação e Articulação dos Atores do Polo de Conhecimento Local em Agropecuária. Tese de Doutorado. PPGCTIA-UFRRJ: Seropédica, 2017.

Published

2018-06-21

How to Cite

Nascimento, C. A. S. do, Vianna, M. de A., Ramos, D. A. L., Villela, L. E., Francisco, D. N., & Junior, R. I. (2018). A migração do campo para os centros urbanos no Brasil: da desterritorialização no meio rural ao caos nas grandes cidades / Migration from the countryside to urban centers in Brazil: from deterritorialization in rural areas to chaos in big cities. Brazilian Journal of Development, 4(5), 2254–2272. https://doi.org/10.34117/bjdv4n5-251

Issue

Section

Original Papers