Prática curricular de extensão com agentes comunitários de saúde: capacitação sobre temas da saúde da criança e do adolescente / Curricular extension practice with community health agents: training on child and adolescent health issues

Authors

  • Isabela Patrícia Tavares Diniz Brazilian Journals Publicações de Periódicos, São José dos Pinhais, Paraná
  • Francyne Ohana Candido de Souza
  • Luísa Cardoso Maia
  • Marina Brettas Tavares
  • Suzanna Christyna de Souza Lima
  • Thales Pessoa Carneiro
  • Sílvio Cesar Zeppone

DOI:

https://doi.org/10.34117/bjdv7n4-145

Keywords:

Agente comunitário de saúde, pediatria, educação em saúde, unidade básica de saúde, capacitação.

Abstract

O trabalho mostra a importância do papel do Agente Comunitário de Saúde (ACS) para a integração da Atenção Primária e da comunidade quando seu trabalho é desenvolvido de forma consciente e ativa. Atuando como elo da relação usuário e centro de saúde ele é capaz de identificar as demandas da comunidade através do seu contato direto e intenso, o que também promove vínculos tornando-se um meio fundamental para conscientizar, orientar e realizar ações de promoção e prevenção de saúde. O profissional faz parte da comunidade que vive e trabalha e, dessa forma, compartilha da realidade do local, interage com valores, linguagens, alegrias, satisfações e insatisfações desse ambiente (BRAND, ANTUNES, FONTANA, 2010). Como a maioria desses profissionais não tem consciência da função norteadora e propagadora de informações, o elo acaba sendo rompido.  Diante desse cenário, foi realizada uma intervenção na Unidade Básica de Saúde (UBS) Laranjeiras com o objetivo de associar esse poder disseminador de informação dos ACS às demandas da unidade indicadas pelas enfermeiras do local, que foram: infecções respiratórias na infância, gravidez na adolescência, infecções sexualmente transmissíveis e aleitamento materno. 

Nesse contexto, é importante salientar que os sintomas respiratórios estão entre as queixas mais comuns no atendimento pediátrico, tanto nos serviços de urgência quanto nas consultas eletivas. Essa situação, somada a maior vulnerabilidade presente nessa fase da vida, reflete a importância da conscientização da população a respeito da prevenção das doenças do sistema respiratório, já que hábitos como a higienização frequente e adequada das mãos e a manutenção do cartão de vacina em dia podem evitar alguns quadros comuns na infância, como: gripe, resfriado, otite, rinossinusite etc (LEÃO et al., 2013). Além disso, vale ressaltar o papel fundamental do aleitamento materno, pois possui benefícios nutricionais, emocionais, imunológicos, econômico-sociais e de aporte para o desenvolvimento, além dos benefícios à saúde materna (ALMEIDA, LUZ, EUD, 2015). Por isso, é de extrema importância que essa prática seja incentivada pelas ACS’s, que estarão em contato direto com essas mães.

A adolescência é um processo de amadurecimento e crescimento do desenvolvimento humano que marca a transição da infância para a idade adulta, envolvendo a puberdade (mudanças físicas) e todas as respostas psíquicas a essas transformações. Configura-se numa fase de grande vulnerabilidade diante as características da idade, aspectos de responsabilidade e tomada de decisões, bem como o início dos relacionamentos afetivos e da vida sexual (BOTTEGA, A. et al, 2016). Dessa forma, a abordagem de temas como as Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST’s) é relevante, principalmente diante os dados da Organização Mundial de Saúde – OMS (2014) que apontam um crescimento no número de casos de IST’s na população jovem, de 2004 a 2013 houve um aumento de 25% na população com idade inferior a 25 anos, além das várias implicações dessas na sociedade, no âmbito econômico e psicossocial. A prevenção é a estratégia de maior importância no controle das IST’s. Assim, considerando o papel disseminador dos profissionais de saúde, como as agentes comunitárias de saúde, é extremamente necessária a capacitação sobre o tema, para, então, atuarem buscando a prevenção e promoção de saúde dos jovens. Em relação a sexualidade e o desenvolvimento na adolescência tem-se também o tema gravidez na adolescência que é muito recorrente no Brasil. Em 2015 ocorreram 546.529 nascimentos das mães entre as idades de 10 a 19 anos. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2018). É importante ressaltar que o corpo e a mente de um adolescente não estão preparados para conceber um filho e, por isso, é de extrema importância o aconselhamento para evitar tal tipo de situação. Por isso, é essencial que as ACS’s se atualizem sobre o assunto para disseminar os tipos de métodos contraceptivos e incentivar o seu uso, mostrando quais seriam as consequências de uma gravidez indesejada e fora da hora.

Para o desenvolvimento da intervenção, considerando a necessidade de conhecimento para se atingir o objetivo em questão, o processo metodológico utilizado foi a Pesquisa Acadêmica.  Esta foi conduzida pelo professor orientador Silvio Zeppone e foi realizada a partir de uma revisão de literatura. Após adquirir informações a respeito dos assuntos que seriam tratados na capacitação dos Agentes Comunitários de Saúde, o grupo de acadêmicos se reuniu com esses profissionais em uma sala da Unidade Básica de Saúde Laranjeiras no dia 24 de maio de 2017 de 15:00 às 16:30. Foi realizada uma roda de conversa com o auxílio de um projetor, na qual, primeiramente, os alunos iniciaram com uma breve introdução ressaltando a importância do papel dos ACS na comunicação entre a população e os profissionais da saúde, assim como na orientação das famílias sobre o cuidado da sua saúde. Em seguida, houve a exposição, por meio de Power Point, dos temas já citados. Além disso, foram confeccionadas 15 cartilhas com o conteúdo abordado, que foram distribuídas para todos os agentes presentes, e um cartaz no qual esses trabalhadores foram convidados a deixar um recado com a sua opinião a respeito da atividade. Ao final do encontro, foram elucidadas dúvidas e compartilhadas experiências, seguidas de um lanche, comprado pelos alunos em mercearias perto de PUC Betim, e agradecimentos.

Diante das demandas percebidas pela Equipe de Saúde da Família da Unidade Básica de Saúde Laranjeiras, o grupo pôde intervir utilizando-se do recurso comunicativo e disseminador de informações dos Agentes Comunitários de Saúde (CARDOSO; NASCIMENTO, 2007). Durante a roda de conversa, houve participação ativa dos ACS e da enfermeira presente na reunião com apresentação de dúvidas, questionamentos, experiências próprias ou de casos que haviam sido acompanhados pelos funcionários da UBS. O retorno que o grupo teve a respeito da intervenção foi muito positivo, tanto por parte da gerente e das enfermeiras, como por partes das agentes de saúde, que se mostraram muito interessadas pelos temas e agradecidas pela nossa presença na unidade. Com isso, o grupo atuou de forma a prevenir doenças e promover saúde para a população adstrita à região de ação da UBS Laranjeiras.

Considerando-se o papel fundamental dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS’s) na disseminação de informações à comunidade, conclui-se que a intervenção é de extrema relevância no dia a dia dessas profissionais, pois é capaz de capacitá-las para passar conteúdos de muita importância no âmbito da saúde para a população de maneira eficaz. Além disso, sensibiliza-as sobre a grande atuação que possuem na atenção primária à saúde e na concretização de assistência integral e humanizada.  Os objetivos e resultados já explicitados ilustram como a proposta citada é interessante, já que foi obtido um retorno muito satisfatório das ACS’s, que agora se sentem mais aptas a ajudar no processo de prevenção e promoção de saúde.

References

ALMEIDA, J. M.; LUZ, S. A. B; UED, F. V. Apoio ao aleitamento materno pelos profissionais de saúde: revisão integrativa da literatura. Rev. Paulista de Pediatria, São Paulo, v. 33, n. 3, p. 355-362, Sept. 2015. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-05822015000300355&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 12 Mar. 2018.

BOTTEGA, A. et al. Abordagem das doenças sexualmente transmissíveis na adolescência: revisão de literatura. Saúde (Santa Maria), Suplemento - Artigos de revisão, p. 91-104, Julho, 2016.

BRAND, C.I.; ANTUNES, R.M.; FONTANA, R.T. Satisfações e insatisfações no trabalho do agente comunitário de saúde. Cogitare Enferm 2010 Jan/Mar; 15(1):40-7. Disponível em:< http://revistas.ufpr.br/cogitare/article/viewFile/17143/11285>. Acesso em 11 Mar. 2018.

CARDOSO, A. S.; NASCIMENTO, M. C. Comunicação no Programa de Saúde da Família: o Agente Comunitário de Saúde como elo integrador entre a equipe e a comunidade. Rev. Eletrônica Ciência e Saúde Coletiva para a sociedade. Rio de Janeiro, 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/csc/v15s1/063.pdf>. Acesso em 9 jun. 2017.

LEÃO, Ennio et al. Pediatria Ambulatorial. 5. ed. Belo Horizonte: Coopmed, 2013.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Informações sobre Gravidez na Adolescência. Portal do Ministério da Saúde. Brasil, 201? Disponível em: <http://portalms.saude.gov.br/saude-para-voce/saude-do-adolescente-e-do-jovem/informacoes-sobre-gravidez-na-adolescencia2> Acesso em 12 mar. 2018.

Published

2021-04-06

How to Cite

Diniz, I. P. T., de Souza, F. O. C., Maia, L. C., Tavares, M. B., Lima, S. C. de S., Carneiro, T. P., & Zeppone, S. C. (2021). Prática curricular de extensão com agentes comunitários de saúde: capacitação sobre temas da saúde da criança e do adolescente / Curricular extension practice with community health agents: training on child and adolescent health issues. Brazilian Journal of Development, 7(4). https://doi.org/10.34117/bjdv7n4-145

Issue

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Original Papers